Danilo Dias da Cunha/vc repórter
As ruas de Gramado durante alta temporada do turismo, no Natal
Eduardo Tessler
De Porto Alegre (RS)
Parece mentira, mas na cidade encantada de Gramado (RS) os automóveis param quando alguém quer atravessar a rua na faixa de pedestre. Sem mágica, sem ameaça de multa, sem qualquer intervenção humana. No destino de inverno favorito de nove entre 10 turistas brasileiros, pedestre é gente.
Não é preciso avisar, tocar apito, rezar ou ameaçar bater no motorista. Pedestre que quiser atravessar a rua basta posicionar-se na calçada e imediatamente o veículo vai parar. Assim mesmo. Como se fosse na Alemanha. E ninguém buzina, ninguém xinga o motorista. Existe uma paz de espírito, muito diferente do estresse do trânsito das grandes cidades.
É verdade que um destino turístico já vem com a tranquilidade entre seus atrativos. Gramado não chega a ser "zen", mas vive sem pressa. E o cidadão da cidade sabe que precisa tratar bem o turista. Entre as ações de bem tratar está a disciplina de trânsito, onde o pedestre tem sempre razão.
Curioso é que o ar de civilização de Gramado contamina - no bom sentido - o turista. Não é apenas o cidadão local que respeita pedestres. Todos os motoristas que chegam à Serra Gaúcha imediatamente esquecem a loucura dos grandes engarrafamentos, a ânsia de chegar em casa rápido, passando por cima de qualquer obstáculo - veículos, bicicleta, animais e até pessoas - e adquirem, de repente, educação de trânsito. Permitem que outro carro entre no cruzamento, respeitam preferenciais, colocam moedas no parquímetro e, acredite, respeitam o pedestre, independentemente do local de onde vieram. Paulistas, mineiros, paranaenses, não importa. A regra é respeitada.
Gramado tem mais alguns fatos curiosos: o banheiro público, instalado no subterrâneo na praça central, está sempre limpo e cheiroso. As pessoas cuidam, preservam. Os turistas andam com poderosas máquinas fotográficas a tiracolo e não se preocupam com furtos ou roubos. São raras as ocorrências policiais na cidade. Os automóveis não param em fila dupla nem são cuidados por flanelinhas. Está a pouco mais de 100 quilômetros de Porto Alegre, mas parece outro mundo.
A solução para São Paulo, então, é simples: basta rebatizá-la como Gramado. Em um instante o trânsito estará educado e desestressado. Ou será preciso obrigar cada paulistano a ter um curso rápido de boas maneiras no trânsito na Serra Gaúcha.
Será?
Eduardo Tessler é jornalista e consultor de empresas de comunicação. Edita o blog Mídia Mundo.
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