Governo define para 2013 meta de inflação de 4,5%, mesmo nível praticado desde 2005. Decisão foi tomada nesta quinta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. Para governo, economia internacional continua instável, e não se pode descartar novos choques que afetem preços no Brasil. Se isso acontecer, governo não quer ser obrigado a sacrificar crescimento.
André Barrocal
BRASÍLIA – Sem ter certeza de que nos próximos dois anos não haverá fortes pressões vindas do exterior sobre preços cobrados no Brasil, e para não ser obrigado a sacrificar o andamento da economia caso isso aconteça, o governo resolveu manter em 2013 a atual meta de inflação, de 4,5%.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (30/06) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a quem cabe a tarefa de fixar o nível de inflação que o Banco Central (BC) tem de buscar tornar realidade. O grupo é formado pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, e pelo presidente do BC, Alexandre Tombini.
Ao comunicar a decisão em entrevista coletiva, o secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda, Márcio Holland, disse que, na avaliação do governo, não é possível descartar, até 2013, a repetição de choques de preços oriundos do exterior com potencial de afetar o Brasil. Isso já ocorreu na passagem de 2010 para 2011.
Como em 2010 os países ricos não tinham se recuperado totalmente da crise financeira de 2008, os especuladores com dinheiro no bolso aplicaram-no em commodities (alimentos e petróleo, por exemplo), sempre um porto-seguro nas turbulências. As volumosas movimentações inflacionaram o valor das commodities lá fora e impactaram o Brasil.
O governo acha que isso pode acontecer de novo nos próximos anos, porque o comportamento da economia internacional ainda está muito imprevisível. Os países emergentes seguem se recuperando mas os mais ricos, não. Há, hoje, inclusive menos otimismo quanto a esta recuperação do mundo desenvolvido.
Num "ambiente internacional que ainda inspira cuidados", nas palavras de Holland, não se pode descartar que o mundo rico volte a adotar medidas “não convencionais” de política monetárias para estimular suas economias.
Exemplo de medida “não convencional”: a liberação de 900 bilhões de dólares em recursos fiscais pelos Estados Unidos. O governo Barack Obama queria que esse dinheiro fosse injetado na economia americana. Mas muitos especuladores preferiram pegar os dólares e correr o mundo atrás de negócios mais rentáveis. Essa opção ajudou a produzir o choque de preços nas commodities em 2010.
Se issio voltar a ocorrer, o governo não quer ser obrigado a derrubar o crescimento da economia brasileira para frear uma inflação que vem de fora. Segundo Holland, uma meta de 4,5% para a inflação de 2013 assegura “flexibilidade necessária à política monetária” adotada no Brasil para lidar com eventuais choques de fora sem afetar o crescimento econômico.
A meta de 4,5% para a inflação vem sendo praticada no Brasil desde 2005. Naquele ano, havia um limite de tolerância de dois pontos e meio para cima e para baixo. Ou seja, a inflação podia ficar entre 2% e 7%. De 2006 em diante, a margem de tolerância caiu para dois pontos. Continuará assim em 2013 também. A inflação poderá ficar entre 2,5% e 6,5%.
Desde 2005, a inflação vem sendo cumprida no Brasil, ainda que com o uso da margem de tolerância.
No relatório trimestral de inflação divulgado nesta quarta-feira (29/06), o Banco Central apresentou projeções que indicam que a inflação em 2013 estaria, diante das condições atuais de juros e de preço do dólar, em um patamar que varia de 4,4% a 4,9%
André Barrocal
BRASÍLIA – Sem ter certeza de que nos próximos dois anos não haverá fortes pressões vindas do exterior sobre preços cobrados no Brasil, e para não ser obrigado a sacrificar o andamento da economia caso isso aconteça, o governo resolveu manter em 2013 a atual meta de inflação, de 4,5%.
A decisão foi tomada nesta quinta-feira (30/06) pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a quem cabe a tarefa de fixar o nível de inflação que o Banco Central (BC) tem de buscar tornar realidade. O grupo é formado pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, e pelo presidente do BC, Alexandre Tombini.
Ao comunicar a decisão em entrevista coletiva, o secretário de Política Econômica do ministério da Fazenda, Márcio Holland, disse que, na avaliação do governo, não é possível descartar, até 2013, a repetição de choques de preços oriundos do exterior com potencial de afetar o Brasil. Isso já ocorreu na passagem de 2010 para 2011.
Como em 2010 os países ricos não tinham se recuperado totalmente da crise financeira de 2008, os especuladores com dinheiro no bolso aplicaram-no em commodities (alimentos e petróleo, por exemplo), sempre um porto-seguro nas turbulências. As volumosas movimentações inflacionaram o valor das commodities lá fora e impactaram o Brasil.
O governo acha que isso pode acontecer de novo nos próximos anos, porque o comportamento da economia internacional ainda está muito imprevisível. Os países emergentes seguem se recuperando mas os mais ricos, não. Há, hoje, inclusive menos otimismo quanto a esta recuperação do mundo desenvolvido.
Num "ambiente internacional que ainda inspira cuidados", nas palavras de Holland, não se pode descartar que o mundo rico volte a adotar medidas “não convencionais” de política monetárias para estimular suas economias.
Exemplo de medida “não convencional”: a liberação de 900 bilhões de dólares em recursos fiscais pelos Estados Unidos. O governo Barack Obama queria que esse dinheiro fosse injetado na economia americana. Mas muitos especuladores preferiram pegar os dólares e correr o mundo atrás de negócios mais rentáveis. Essa opção ajudou a produzir o choque de preços nas commodities em 2010.
Se issio voltar a ocorrer, o governo não quer ser obrigado a derrubar o crescimento da economia brasileira para frear uma inflação que vem de fora. Segundo Holland, uma meta de 4,5% para a inflação de 2013 assegura “flexibilidade necessária à política monetária” adotada no Brasil para lidar com eventuais choques de fora sem afetar o crescimento econômico.
A meta de 4,5% para a inflação vem sendo praticada no Brasil desde 2005. Naquele ano, havia um limite de tolerância de dois pontos e meio para cima e para baixo. Ou seja, a inflação podia ficar entre 2% e 7%. De 2006 em diante, a margem de tolerância caiu para dois pontos. Continuará assim em 2013 também. A inflação poderá ficar entre 2,5% e 6,5%.
Desde 2005, a inflação vem sendo cumprida no Brasil, ainda que com o uso da margem de tolerância.
No relatório trimestral de inflação divulgado nesta quarta-feira (29/06), o Banco Central apresentou projeções que indicam que a inflação em 2013 estaria, diante das condições atuais de juros e de preço do dólar, em um patamar que varia de 4,4% a 4,9%
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