do Tijolaço

O Estadão publica hoje uma matéria onde se afirma que a presidenta Dilma Roussef determinou que seus ministros apóiem a formação de um entendimento capaz de fazer sair do papel, onde está há quase um ano e meio, a instauração da Comissão da Verdade, destinada a apurar os acontecimentos da tenebrosa noite de arbítrio que escureceu a vida brasileira após 1964. É uma ação inadiável, destinada a lançar luz e verdade sobre situações que precisamos conhecer, até para que jamais se repitam.


Fiz a minha parte, apresentando o pedido de urgência para a votação no projeto na Câmara. Mas, embora quase todos os líderes tenham concordado com o pedido, há resistências a que seja feita a votação. Temem que se forme um “Tribunal de Nuremberg” contra os mandantes e os agentes daquelas violências. O líder do DEM, Demóstenes Torres, promotor por profissão, manifesta um descabido critério de apoiar ou não a Comissão, dependendo de quem a comande, como se uma investigação devesse ser feita ou não dependendo de quem a presida.

Existem decisões judiciais tomadas em tese: a de que a leia da Anistia prevalece sobre os tratados internacionais que consideram a tortura imprescritível. Mas é uma decisão que não teve, diante de si, a inteireza dos fatos. Se vai se manter, diante deles, é algo que ao Judiciário pertence avaliar.

Mas há algo, muito mais importante do que isso, em jogo. É o direito de mães, pais, filhos, amigos, saberem o que se passou com seus entes queridos. É tirá-los de uma angústia de mais de 30 anos, que em muitos casos os acompanhou até a morte, sem dar-lhes paz para aceitar a perda e o sofrimento. É limpar seus corações e permitir que as lágrimas, finalmente, limpem a dor.

A verdade, toda a verdade, é único caminho da libertação.

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