Sem fronteiras

Para Sheykh al Sadeq al-Gharyan , novo mufti (chefe religioso) da Líbia, não se pode conferir a Muammar Kadafi, morto quatro dias atrás em Sirte, um funeral islâmico porque ele não era um crente: - “Ele não era um crente islâmico. Negava as tradições e as suas palavras indicavam que havia abandonado a comunidade muçulmana”. A fatwa (senteça religiosa) acaba de ser divulgada em Trípole.


Gharyan advertiu que apenas os parentes poderão orar por Kadafi, que, na ditadura e para se promover, anulou manifestações tradicionais que celebravam a vida do profeta Maomé.

Para o mufti, o coronel Kadafi poderá ser enterrado em cemitério islâmico, mas num lugar desconhecido. Para o novo mufti, a campa em lugar desconhecido evitará que “exploda uma guerra civil entre os líbios e impedirá que o lugar da campa se transforme em lugar de peregrinação”.

O novo mufti substitui a Khaled Tantusch, preso em 12 de outubro pelas forças rebeldes e com aprovação do Conselho Nacional de Transição.

Pano Rápido. Com a entrada do novo mufti em cena, muda-se a orientação do governo provisório de que o corpo seria entregue ao chefe da tribo e familiares de Kadafi. A fim de compensar, o governo provisório anuncia a abertura de uma investigação sobre a execução do antigo raís (palavra árabe que significa chefe).

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

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