do BLOG PROJETO NACIONAL

No mercado de petróleo, os últimos santinhos que existiram foram contemporâneos dos micro-organismos que, há milhões de anos, formaram as jazidas deste mineral. O resto é esperto, muito esperto e não prega prego sem estopa.

Existe, claramente, uma pressão do mercado contra a nossa maior empresa, que se refleta nas cotações irreais e na pressão do noticiário sobre a Petrobras.

A questão pode ser explicada – claro que de forma um pouco empobrecida – da seguinte forma: é preciso desqualificar a eficiência e a capacidade financeira de nossa petroleira. Do ponto de vista da técnica, com a posição que a Petrobras já alcançou em tecnologia, isso é muito difícil, quase impossível no curto prazo.

É preciso, portanto, enfraquecer politicamente a empresa, e para isso se valem de dois fatores.

O primeiro, o de forçar um desgaste com o preço dos derivados de petróleo, sobretudo a gasolina. Como qualquer um sabe, a escassez foi no etanol, mas as pressões quem sofreu foi a gasolina, que não apenas teve de incorporar a elevação de preço do álcool contido no “mix” do combustível vendido na bomba como de absorver a elevação de consumo de gasolina por conta da opção por este combustível forçada pelo preço do etanol hidratado que é sua alternativa.

A reação de aumentar, para cobrir o custo do petróleo, o preço da gasolina foi defendida, embora sem a franqueza com que devia ser assumida, pelos expoentes do jornalismo econômico conservador.

O outro caminho é dizer que a Petrobras está perdendo valor de mercado, em razão da baixa cotação de suas ações em bolsa.

Sim, elas estão muito abaixo do valor real, é verdade, mas porque o mercado sabe que ela não oferecerá retorno de curtíssimo prazo, em razão dos pesados investimentos que faz e ainda fará por um bom tempo.

Já mostramos aqui que a Petrobras tem um histórico recente – e terá nos próximos anos – de investimentos que, de uma forma ou de outra, vai reduzir proporcionalmente sua capacidade de distribuição de lucros no curto prazo, e o mercado de ações é de curto prazo.

O mercado até aceita bem – embora torça o nariz para a ideia de fazer aqui sondas, navios e equipamentos – os investimentos feitos em extração e produção. São pesadas inversões, mas têm um retorno em prazo mais curto – três anos para os poços pioneiros e um ano para os adjacentes e de desenvolvimento da exploração.

O que provoca irritação é a decisão de investir em refinarias, onde nossa capacidade atual nem mesmo atende ao volume produzido aqui e às necessidades de um mercado de consumo crescente.

Na tabela, você vê que ainda em testes os melhores poços do pré-sal, nossa produção está acima dos dois milhões de barris/dia, mas nossa capacidade de refino, que fica numa nédia de 1,85 milhão de barris por dia já lhe é inferior. Se chegarmos ao final do ano com a média pretendida de 2,1 milhões de barris/dia, o déficit de refino será de 10% e crescerá geometricamente até 2020, quando a capacidade instalada de refino, se tudo correr bem, ficará em menos de 50% do volume da produção de petróleo.

Isso fatalmente nos levará à posição de exportadores de petróleo bruto – com valor agregado obviamente mais baixo.

É verdade que não podemos ter a ilusão de refinar tudo e só vender derivados, porque há diversas questões de curva de investimentos e de logística, porque a escala de transportes de derivados é menor e, portanto, muito mais cara.

Mas daí a pretende-se que a gente refine, como é capaz hoje, apenas 30% do petróleo que produziremos em 2020 (cerca de seis milhões de barris diários) é nos colocar no papel de exportador de petróleo bruto e importador de derivados em larga escala, oque, considerada uma expansão média anual de 5% em seu consumo – que já é hoje de perto de 2,2 milhões de barris dia, ficaremos reduzidos a suprir metade de nosso consumo.

Mesmo com os planos de investimentos da Petrobras em refinarias, não haverá total autossuficiência em derivados em 2020, se o ritmo de expansão do consumo for este.

Por isso, o mercado faz “patinar” o valor das ações da Petrobras. Já escrevi, antes, aqui, que os investidores”, aqui, são do tipo “fast food”.

E a Petrobras e o governo vão ter de “trancar o pé” diante deles e levar em frente seus planos, mesmo aguentando as pressões financeiras e midiáticas.


Por: Fernando Brito

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