do Jornal Cruzeiro do Sul


José Antônio Rosa
joseantonio.rosa@jcruzeiro.com.br

Pouca gente talvez saiba que durante mais de 400 anos a unidade monetária brasileira foi o Real. Menos gente ainda faz ideia de que apenas por volta de 1690 o país alcunhou, aqui, sua primeira moeda. Quer mais? As cédulas de papel começaram a circular entre nós no começo do século XIX. Essas e outras curiosidades são contadas em "Uma Breve História do Dinheiro no Brasil - De Cabral ao Real", livro do engenheiro aposentado e numismata (aquele que coleciona moedas e notas) Emílio Bassoi Júnior.



Radicado em Sorocaba, ele pesquisou extensa bibliografia e usou, claro, o próprio acervo que mantém. Apaixonado por dinheiro (até onde a expressão possa ser interpretada no bom sentido), Bassoi aproveita, no trabalho, para discutir, também, o contexto de época e as principais passagens históricas do período que estudou. Assim, o leitor fica sabendo que só a partir de 1942, a moeda brasileira passou a se chamar cruzeiro.

Vieram, com o tempo, outras nomenclaturas, entre as quais o cruzado. Todas, explica o estudioso, têm a ver com a colonização portuguesa. Ou seja, até hoje ninguém pensou em dar ao dinheiro um nome mais próximo da identidade cultural do povo. Em compensação, até conchas chegaram a ser usadas como moeda de troca. Foi o que aconteceu na primeira metade do século XVI, quando escravos trazidos do continente africano descobriram, nas praias, formações dessa espécie chamadas de "jimbo" ou "zimbo".

As conchas eram usadas na África como dinheiro e, por conta disso, serviam para que traficantes comprassem negros, na viagem de volta àquela localidade. Bassoi ilustra sua obra com imagens de exemplares raros, muitas das quais de sua coleção particular. Mesmo sem poder de compra, algumas cédulas podem alcançar no mercado de colecionadores preço de até R$ 20 mil. É o caso de uma nota de 20 mil réis (como o plural de real era chamado aqui por um bom tempo) de 1907.

Outro aspecto curioso tratado no livro, aborda o uso do dinheiro como meio de expressão. Cédulas e moedas reproduziram figuras de personalidades como D. Pedro I, o filho D. Pedro II, Santos Dumont, Rui Barbosa e Deodoro da Fonseca. Mais recentemente, foram impressas ilustrações de animais considerados símbolos da natureza, como a onça. Além disso, até trechos de poemas constaram das notas, caso de um trabalho de Carlos Drummond de Andrade. "Uma Breve História do Dinheiro..." só não ensina como fazer para ter muito do mesmo. O livro está à venda na Livraria Pedagógica, Livros & Cia., do Esplanada Shopping, Espaço Alexandria, e Nobel do Sorocaba shopping, ao preço de R$ 29,90.

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