do BLOG PROJETO NACIONAL
As coisas estão se desmanchando na Europa; o centro não está segurando. Papandreou vai realizar um referendo; o voto será não. Bônus italiano de 10 anos a 6,29%; este é um nível em que o custo de rolar a dívida existente forçará um default, apesar de a Itália ter um superávit primário. E com todos buscando simultaneamente a austeridade fiscal, uma recessão parece quase certa, agravando todos os problemas do continente.
Venho mapeando esse desastre de trem há uns dois anos, e estou me sentindo exausto demais para retraçá-lo neste momento. Digamos apenas que o euro foi uma ideia inerentemente falha que só pode funcionar com uma economia europeia forte e um grau significativo de inflação, mais crédito ilimitado a dívidas soberanas que enfrentam ataques especulativos. Mas as elites europeias abraçaram a noção de economias como peças morais, impondo austeridade a torto e a direito, endurecendo o crédito apesar da inflação subjacente baixa, e estiveram preocupadas demais com a punição dos pecadores para notar que tudo ia explodir sem um emprestador efetivo em último recurso.
A questão que estou tentando responder agora é como o ato final será encenado. A essa altura, eu suporia taxas crescentes sobre a dívida italiana provocando uma corrida gigantesca aos bancos, tanto por temores com a solvência de bancos italianos em caso de calote, como pelo medo de que a Itália acabe saindo do euro. Isso leva então a um fechamento de emergência dos bancos, e quando isso ocorrer, uma decisão de abandonar o euro e instalar a nova lira. Próxima parada, França.
Isso tudo soa apocalíptico e irreal. Mas como essa situação vai supostamente vai se resolver? O único caminho que eu vejo para evitar algo assim envolve o Banco Central Europeu mudar totalmente seu enfoque, e rápido.
*Paul Krugman, Premio Nobel de Economia de 2008, é colunista do The New York Times, republicado pelo Estadão.
As coisas estão se desmanchando na Europa; o centro não está segurando. Papandreou vai realizar um referendo; o voto será não. Bônus italiano de 10 anos a 6,29%; este é um nível em que o custo de rolar a dívida existente forçará um default, apesar de a Itália ter um superávit primário. E com todos buscando simultaneamente a austeridade fiscal, uma recessão parece quase certa, agravando todos os problemas do continente.
Venho mapeando esse desastre de trem há uns dois anos, e estou me sentindo exausto demais para retraçá-lo neste momento. Digamos apenas que o euro foi uma ideia inerentemente falha que só pode funcionar com uma economia europeia forte e um grau significativo de inflação, mais crédito ilimitado a dívidas soberanas que enfrentam ataques especulativos. Mas as elites europeias abraçaram a noção de economias como peças morais, impondo austeridade a torto e a direito, endurecendo o crédito apesar da inflação subjacente baixa, e estiveram preocupadas demais com a punição dos pecadores para notar que tudo ia explodir sem um emprestador efetivo em último recurso.
A questão que estou tentando responder agora é como o ato final será encenado. A essa altura, eu suporia taxas crescentes sobre a dívida italiana provocando uma corrida gigantesca aos bancos, tanto por temores com a solvência de bancos italianos em caso de calote, como pelo medo de que a Itália acabe saindo do euro. Isso leva então a um fechamento de emergência dos bancos, e quando isso ocorrer, uma decisão de abandonar o euro e instalar a nova lira. Próxima parada, França.
Isso tudo soa apocalíptico e irreal. Mas como essa situação vai supostamente vai se resolver? O único caminho que eu vejo para evitar algo assim envolve o Banco Central Europeu mudar totalmente seu enfoque, e rápido.
*Paul Krugman, Premio Nobel de Economia de 2008, é colunista do The New York Times, republicado pelo Estadão.
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