do BRASIL 247
Foto: Divulgação
Se nesta prateleira são normalmente colocados álbuns regionais, a parceria entre Arnaldo Antunes, Edgar Scandurra e o africano Toumani Diabaté mostra uma música dos tempos de globalização
Lucas Reginato _247- Globalização já é um termo corriqueiro e conhecido por todos. Na música, no entanto, ele parece demorar um pouco mais para chegar. A grande evidência disto é o rótulo “world music”, que aglutina tudo aquilo que não for americanizado em uma mesma estante. Se superficial por um lado, a “world music” é ambiciosa se levada em conta literalmente. Normalmente são colocadas nessas prateleiras os álbuns de música regional de países distantes, mas “A Curva da Cintura”, parceria de Arnaldo Antunes, Edgar Scandurra e o músico africano Toumani Diabaté, consegue alcançar um nível realmente global na música, digno dos tempos de globalização.
O ex-titã parece ter chegado ao seu ápice estético. Suas letras não precisam ser assinadas por ele, tamanha identificação delas com o poeta. Cantando-as, consegue imprimir exatamente aquilo que escreveu nas faixas do CD. As divertidas “Cara” e “Meu Cabelo” são caricaturas sentimentais lapidadas de forma simples e eficiente.
Se com Marisa Monte e Carlinhos Brown o artista Arnaldo Antunes construiu uma grande obra em Tribalistas, com os novos parceiros (que não são tão novos, afinal, desde que Scandurra saiu do Ira!, a parceria entre os dois é frequente) ficou evidente de como o inquieto compositor precisa de novidades para mostrar o que tem de melhor.
A grande novidade em A Curva da Cintura é a kora, uma espécie de harpa com 21 cordas, na qual Toumani é um dos grandes especialistas. O músico de Mali se mostra perfeitamente adaptado à musicalidade de Edgar Scandurra, e suas interpretações chamam atenção em todas 18 faixas do CD.
Nas faixas instrumentais, a dupla Scandurra-Toumani mostra toda sua virtuosidade e harmonia. O álbum, que também foi lançado em DVD com direito a cenas dos bastidores, traz ao Brasil um exótico som do noroeste africano, distante dos tambores e cantos tradicionais. A kora chama atenção sem soar estranho, e talvez seja esta convergência cultural o grande legado que A Curva da Cintura deixou.
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