Reuters


BRASÍLIA, 9 Abr (Reuters) - A liderança do PT no Senado passou a defender nesta segunda-feira a instalação de CPI sobre as vinculações políticas do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar uma rede de jogos ilícitos, depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) negar acesso aos autos de inquérito sobre o tema à corregedoria e ao Conselho de Ética da Casa.

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro, anunciou que os 13 senadores do partido irão discutir a partir de terça-feira o texto para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e, a partir disso, coletar assinaturas.

Pinheiro afirmou à Reuters que essa passou a ser a única forma de o Senado ter acesso ao inquérito que investiga as relações de Cachoeira, preso desde fevereiro, com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO).

No Senado são necessárias 27 assinaturas para a criação de uma CPI. Já há assinaturas suficientes na Câmara para a instalação, mas os presidentes das duas Casas precisam autorizar.

"A única forma que temos para investigar os fatos se tornou uma CPI", disse Pinheiro ao comentar a negativa do STF.

Ele defendeu a investigação como forma de o Senado se livrar da imagem de que é corporativista.

COMISSÃO DE ÉTICA

A escolha do novo presidente da Comissão de Ética do Senado, que deveria ter ocorrido nesta segunda, foi adiada porque o parlamentar convidado, Vital do Rego (PMDB-PB), pediu um dia para estudar se o regimento permitia que acumulasse o posto com o de relator da Lei Geral da Copa.

O PMDB tem direito de indicar o presidente da comissão, que irá conduzir o processo que poderá resultar na cassação de Demóstenes Torres, por suas ligações com Cachoeira.

(Reportagem de Ana Flor)

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