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Entrevistado pela mídia, o ex-Ministro Maílson da Nóbrega declarou que “todo mundo” está apostando que os bancos não acompanharão Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal na redução dos juros dos empréstimos.
Maílson sempre se vale da expressão “todo mundo” para conferir ênfase às suas opiniões pessoais.
Nos mercados, há duas situações distintas: a competição e a cartelização.
No primeiro caso, empresas entram disputando clientela. A disputa as obriga a melhorar serviços, reduzir preços, em um primeiro momento reduzir margens de lucro, para ganhar mais à frente.
No caso de mercados cartelizados, as empresas acomodam-se em um patamar confortável de lucros e evitam competições que possam reduzir sua margem.
Nas últimas duas décadas o sistema bancário brasileiro acomodou-se. Em determinado momento abriu-se a possibilidade de entrada de grandes bancos estrangeiros, visando trazer a competição. Mas competição não houve.
Na ponta da captação, as altas taxas de juros criaram a hegemonia da renda fixa. Na ponta do empréstimo, altas margens de lucro e baixa perspectiva de aumento da carteira de crédito, imobilizaram a competição no setor.
A competição instaurou-se em alguns momentos de crise.
Em 2002, por exemplo, com a agitação eleitoral, grandes bancos estrangeiros deixaram seus clientes órfãos. Os bancos brasileiros imediatamente capturaram a clientela. E estrangeiros com larga tradição e penetração no mercado brasileiro acabaram se tornando quase irrelevantes.
Na crise de 2008, foi a vez dos bancos públicos aproveitarem. O mercado travou, os bancos evitavam empréstimos. Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal entraram decisivamente abrindo sua carteira de empréstimos. Os Maílson da vida prognosticaram explosões de inadimplência. Não houve explosão alguma, a não ser a do crescimento dos depósitos das duas instituições.
Agora ambos os bancos saem à frente na redução dos spreads.
O spread (diferença entre as taxas de captação e de empréstimos) é composto por uma parcela de tributos, outra visando cobrir a inadimplência e a terceira, a de lucros.
Nos últimos anos, foram tomadas várias medidas visando reduzir os riscos de inadimplência. Só que os ganhos na área não resultaram em redução de spread, mas em aumento da rentabilidade do setor.
- Em um primeiro momento, ganharão uma enorme clientela, especialmente clientes endividados em outros bancos que se valerão da portabilidade (o direito de transferir o crédito) para conseguir taxas menores de juros.
- Evidentemente há risco de receberem clientes problemáticos. Mas a possibilidade de conquista de clientes sadios compensará os riscos, sabendo-se que ambas as instituições possuem bons departamentos de créditos.
- Num terceiro momento, os competidores terão que baixar, também, seus spreads, sob risco de perderem o bonde.
Há mais medidas a se tomar, como redução de tributação e outras visando minorar ainda mais a inadimplência. Mas instituiu-se a competição no setor. Para desgosto de Maílson.
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