O Recôncavo


Brizola e sua Cadeia da Legalidade: era o que Lugo deveria ter feito.



A reação atrasada e tímida do ex-presidente Fernando Lugo ao golpe no Paraguai é o típico exemplo do que nunca deve ser feito.
Se tivesse convocado o povo a ir às ruas para defender a democracia, a oposição ao golpe seria muito maior do que foi.
Como hoje se vê, não lhe faltaria apoio da comunidade internacional.
Hugo Chávez mostrou, em outro exemplo, que é possível até reverter a situação, a depender das correlações de força, uma vez enfrentando os golpistas. Ao saber que o presidente não havia renunciado, graças às antenas parabólicas e aparelhos de rádio que captavam informações de fora do país, o povo venezuelano foi às ruas, e lhe restituiu o poder.
A grande mídia da Venezuela apoiou o golpe e mentiu, dizendo que o presidente renunciara. Se dependesse do PIG venezuelano, o golpe teria sucesso. Mas, em tempos de internet, a informação chegou  de fora do país: o presidente, mesmo detido, era Chávez. E o povo foi as ruas para libertar o presidente, este mesmo que já passou por outras eleições e plebiscitos, e que, mesmo assim, é cinicamente rotulado de “ditador” pelo PIG brasileiro.
No Brasil, o conformismo de João Goulart levou-nos a desperdiçar toda mobilização possível. Leonel Brizola, que defendia a reação, organizou a sua Cadeia da Liberdade , que construiu junto com o General Machado Lopes. Brizola fez do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, uma trincheira de luta. Convocou a população, mobilizando milhares de pessoas e a Brigada Militar. Brizola montou uma rádio no palácio e de lá denunciava que o presidente ainda era Jango.
Se Jango convocasse a reação, outros estados poderiam também se levantar. Havia também uma grande massa mobilizada em torno das reformas de base que poderiam dar alguma sustentação à reação. Mas isso são exercícios de cenários possíveis, nunca saberemos ao certo.
Os tempos são outros e as circunstâncias também. Lugo inicialmente ficou acuado e o impedimento em apenas dois dias tirou-lhe o chão.
O certo é que, enquanto o golpe transcorria, o presidente Lugo agiu como um padre, quando deveria ter sido um líder politico.
O que me leva a aconselhar: em caso de golpe, reaja! 
Por Charles Carmo

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