por Luiz Carlos Azenha

Quando aloprados petistas supostamente tentaram comprar um dossiê contra José Serra, na campanha eleitoral de 2006, e foram pegos em flagrante com dinheiro vivo, a notícia dominou as semanas finais da campanha.

O fato culminou com o vazamento das fotos do dinheiro apreendido para a mídia na antevéspera do primeiro turno, a tempo de estrelar o Jornal Nacional e as capas de jornais.

A mídia não se debruçou sobre os bastidores do acontecimento. Não se apurou se, como sustenta o repórter Amaury Ribeiro Jr., os petistas caíram numa cilada da inteligência da campanha tucana; nem apurou como se deu o vazamento das fotos, da qual a mídia foi co-partícipe.

Não fosse por um certo blog chamado Viomundo, hospedado então na Globo.com, provavelmente a gravação da conversa entre o delegado da Polícia Federal que vazou as fotos e jornalistas jamais teria sido noticiada. Depois que o fizemos, a Globo se sentiu na obrigação de revelar que tinha tido acesso à conversa gravada — e publicou uma transcrição no portal G1. Mas não saiu no Jornal Nacional. Nunca.

Podemos dizer que o mesmo aconteceu quando foi revelada a relação íntima entre o bicheiro — desculpem, empresário do ramo farmacêutico — Carlinhos Cachoeira e a revista Veja. Noticiou-se a prisão do bicheiro e o envolvimento dele com o senador Demóstenes Torres, mas a mídia não ocupou suas manchetes com a relação incestuosa entre fonte e publicação.

Agora, repentinamente, o critério mudou. A mídia se interessa pelos bastidores da investigação do propinoduto que atingiu em cheio o tucanato paulista. Logo isso vai se tornar ainda mais importante que o desvio de centenas de milhões de reais. É só esperar para ver.

As indicações preliminares são de que as investigações do Cade e da Polícia Federal acertaram em cheio o esquema de financiamento de campanha de um certo partido.

A mídia corporativa tem noticiado o escândalo envolvendo Siemens e Alstom, mas com cuidado para não sugerir que chegamos ao caixa das campanhas tucanas em São Paulo.

Aécio Neves, conforme a manchete acima, vem em socorro dos paulistas. Ganha pontos com Geraldo Alckmin e José Serra. E dá o tom para a cobertura midiática, que começou com o Estadão, passou pela Globo e, como se vê acima, chegou à Folha.

A ideia é dizer que o presidente do Cade, que foi assessor do então deputado estadual Simão Pedro, de alguma forma forçou a barra para investigar o propinoduto tucano. Dizer que as instituições federais estão sendo usadas politicamente pelo PT para prejudicar adversários.

A ideia é lançar uma espessa cortina de fumaça, sob a qual José Serra, Geraldo Alckmin e os tucanos paulistas possam bater em retirada. A ideia é simular uma conspiração petista, como se não tivesse havido cartel, nem envolvimento do alto tucanato, nem corrupção, nem desvio de dinheiro público, nem superfaturamento.



Viomundo

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