Cruzamento genético de duas espécies de abacaxi dá origem a nova fruta de casca avermelhada rica em vitaminas e substâncias que combatem o envelhecimento celular.
Por: Camille Dornelles


O abacaxi híbrido de coloração avermelhada tem casca mais fina e maior quantidade de nutrientes em comparação ao abacaxi tradicional. (foto: Pedro Nahoun/ Botânica Pop)


A imensa lista de frutas existentes no planeta ganhou mais um item, o puã. A iguaria de nome estranho é resultado do cruzamento genético do abacaxi comum (Ananas comosus) com o abacaxi-vermelho (Ananas bracteatus). Além de saborosa, a novidade gastronômica é rica em flavonoides, grupo de substâncias antioxidantes que combatem o envelhecimento celular e auxiliam na absorção de vitamina C.
“Enquanto as pessoas jogam fora a casca do abacaxi, nossa ideia é que a casca seja a principal parte consumida do puã”

A criação é de um grupo de pesquisadores da empresa Botânica Pop, que trabalha com cruzamento genético de plantas da família Bromeliaceae desde 1987. O botânico responsável pelo projeto, Pedro Nahoun, conta que a equipe já trabalhava com abacaxis-vermelhos, que não são comestíveis, desde 1991, mas apenas após cinco anos começaram os experimentos com foco na alimentação. “Decidimos incorporar genes do abacaxi selvagem ao abacaxi comestível e continuamos os cruzamentos entre os híbridos para obter vários resultados”, explica.

A nova fruta juntou o melhor dos dois abacaxis. Assim como o abacaxi-vermelho, sua polpa é formada por gomos, o que facilita o seu consumo. Já a sua casca é mais fina que a do abacaxi tradicional e mais rica em nutrientes. É nela que se concentram os flavonoides. “Enquanto as pessoas jogam fora a casca do abacaxi, nossa ideia é que a casca seja a principal parte consumida do puã”, diz Nahoun.



A polpa do puã é formada por gomos que facilitam o seu consumo. (foto: Pedro Nahoun/ Botânica Pop)

O botânico garante ainda que o fruto se tornou mais resistente e dispensa o uso de pesticidas nas plantações. “Sabe-se que o antioxidante é muito comum nesses frutos como barreira de proteção natural”, afirma. “Com a hibridização, o novo produto adquiriu essas características, tornando-se mais resistente às pragas que atacam culturas de abacaxis.”

O grupo, que já produziu mais de 10 mil espécies híbridas, estabeleceu parcerias para a clonagem em escala industrial do puã e prevê a sua chegada ao mercado da alta gastronomia em 2014 e ao varejo em 2015.

Camille Dornelles
Ciência Hoje On-line

CH

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