Edward Snowden era apenas um analisa da CIA com salário de seis dígitos até meses atrás, mas a vida muito rápido: ele se tornou o pivô de um enorme escândalo de vigilância nos EUA ao divulgar informações sobre os programas de espionagem do governo norte-americano. Ele foi eleito o homem do ano pela revista VIP, que publicou na edição de novembro (que está nas bancas) um excelente perfil do informante, assinada por Leandro Beguoci, que inclusive conseguiu trocar alguns emails com Snowden.
O jovem Snowden é um rapaz preocupado com a privacidade, e isso o motivou a revelar os documentos da NSA, como ele explicou há alguns meses:
“O que eu estou fazendo é em interesse próprio. Eu não quero viver em um mundo onde não há privacidade e, portanto, não há espaço para a investigação intelectual e para a criatividade”Desde as revelações de Snowden, a questão da privacidade voltou a ser discutida pelo mundo. Vale a pena entregar nossos dados desse jeito? Existem alternativas? (Em alguns casos, sim). À VIP, Glenn Greenwald, o jornalista americano que mora no Rio de Janeiro e publicou as informações cedidas por Snowden no jornal britânico The Guardian, ressaltou a importância do antigo funcionário da CIA e da NSA para o mundo que vivemos:
“Ele revelou que quando os grupos mais poderosos do mundo são livres para agir sem transparência ou sem a necessidade de prestar contas, eles vão, inevitavelmente, abusar do poder que eles têm.”A discussão sobre privacidade e segurança ainda vai longe – as pessoas estão divididas ainda entre a conveniência de ter tantos serviços gratuitos na internet e a possibilidade de manter a própria privacidade. Ou então a questão da segurança nacional de um país – para garantir que a população não sofra um ataque vale a pena permitir que agentes federais tenham o poder de guardar e checar tudo o que é feito por quem mora dentro (e até fora) do país?
Para finalizar a reportagem, Snowden escreveu uma carta aos brasileiros. Ele lembrou os frequentes protestos que ocorrem nas ruas do Brasil e que tiveram como auge o mês de junho – e diz que somos uma “grande inspiração” para ele. Snowden definiu a privacidade como “o direito de decidir quem nos conhece”, e deixou um recado final: “Parem de nos espiar”. [VIP]
Gizmodo Brasil

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