O Ocidente continua fomentando a histeria anti-russa, frustrando a realização de medidas urgentes para diminuir a escalada da tensão militar. Na terça-feira, a Grã-Bretanha inviabilizou um envio de observadores da OSCE para os postos de controle fronteiriço russos.
O número de disparos e ataques de lança-granadas às povoações russas situadas na fronteira vai crescendo. Os projéteis lançados do território ucraniano causam prejuízo material, sobretudo, às casas privadas. Mais do que isso, um cidadão russo foi morto e várias pessoas foram feridas.
Todavia, Kiev tem desmentido e ignorado estas informações. Uma atitude análoga foi assumida por muitos países ocidentais. Moscou tem reagido com a cautela e moderação. Mas para proteger seus cidadãos e levar ao conhecimento da comunidade mundial um quadro objetivo dos acontecimentos na zona fronteiriça, a Rússia convidou a missão da OSCE a visitar os postos de controle russos. Moscou se dispõe a não esperar por uma trégua no sudeste, embora tal condição fosse aprovada pelos ministros das Relações Exteriores da Rússia, Alemanha, França e Ucrânia.
O presidente da OSCE, Didier Burkhalter, se solidarizou, na segunda-feira, com uma proposta russa sobre um envio imediato de observadores para os postos de fronteira russos. O primeiro grupo poderia iniciar o trabalho na quarta-feira. No entanto, segundo disse o representante do Ministério das Relações Exteriores, Yuri Matery, “de súbito, intervieram as forças que não estão interessadas na regularização da crise”:
“As iniciativas russas têm enfrentado uma atitude não construtiva de algumas delegações da OSCE, antes de mais, da delegação britânica. Aqueles políticos que estão incitando a histeria anti-russa na OSCE, declarando a necessidade de tomar medidas urgentes para diminuir a escalada da tensão, na realidade, não estão interessados nisso. Assim aconteceu desta vez quando foi frustrada a possibilidade de tomar decisões importantes sobre o envio de observadores. Na sequência disso, a questão do envio foi adiada”.
Em vez disso, os países da OTAN vão acusando a Rússia de estar reforçando o seu contingente militar estacionado na fronteira russo-ucraniana. O fato de a OTAN estar alargando a sua presença no mar Negro tem sido visto como algo normal. Desde o início de julho, ao espaço aquático do mar Negro foram enviados 13 navios de guerra da Aliança Atlântica. O desejo de Moscou de fortalecer as suas fronteiras perante ataques regulares a partir do território alheio tem sido encarado como uma “conduta agressiva”.
Ninguém se lembra das ações da Grã-Bretanha nas ilhas Malvinas, da reação dos EUA ao atentado terrorista às “torres gémeas” em Nova York em 11 de setembro de 2001 ou de retaliações de Israel aos ataques palestinos da Faixa de Gaza, sustenta o politólogo, Alexei Mukhin:
“Nem a OTAN, nem qualquer outra instituição podem acusar a Rússia de tentar concentrar a força militar diante da ameaça externa. Tais medidas são indispensáveis para o reforço da segurança nacional. A OTAN e os outros países costumam reagindo de forma mais dura a ameaças externas”.
Apesar disso, a Rússia está convencida da necessidade de juntar os esforços da comunidade mundial para regularizar a crise. Para reforçar a confiança, Moscou não desiste de sua proposta de acolher nos seus segmentos da fronteira uma missão da OSCE.
Além disso, o Ministério da Defesa da Rússia convidou os adidos militares de 18 países acreditados em Moscou, incluindo da Alemanha, França, Holanda, Bélgica, Ucrânia, China, Japão e outros, a visitarem os postos de fronteira russos.

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