Para quem gosta, foi uma festa. A trinca formada pelo empresariado paulista, a mídia e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está mais afinada do que nunca. Só falta combinar com os eleitores, que pensam exatamente o contrário.
Nesta segunda-feira, em mais um convescote tucano patrocinado pelo promoter empresarial João Dória Júnior, 602 empresários e executivos "de grande porte", segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", antigo porta-voz do grupo, reuniram-se num almoço em torno de FHC na tentativa de criar uma "onda de razão" capaz de desencalhar a candidatura de Aécio Neves e leva-lo para o segundo turno.
O ex-presidente gastou seu latim e, depois de desancar o PT, como de costume, na sua autonomeada função de ombudsman da corrupção, deu conselhos ao seu candidato sobre como combater o inimigo: "Não sou marqueteiro, mas a dramatização é um modo de comunicação importante. A Marina respondeu à Dilma de forma dramática quando disseram que ela acabaria com o Bolsa Família. Por que o Aécio não pode fazer isso?".
Aplaudido de pé três vezes durante o discurso e por mais de cinco minutos em cada uma delas, de acordo com a reportagem de Pedro Venceslau e Elizabeth Lopes, FHC citou até Roberto Jefferson, para concluir: "Não haveria o mensalão se não fosse o Roberto Jefferson. Em certos momentos, é preciso dramatizar para que a população sinta o que está acontecendo. O que está acontecendo na Petrobras é passível de uma indignação direta, porque exemplifica o que está acontecendo em muitos outros lugares".
Sempre em busca de um delator e novas denúncias para mudar o cenário eleitoral desfavorável, o guru e eterno formulador dos tucanos não foi capaz de apresentar nenhuma proposta para melhorar o país _ pelo menos, não li nada a respeito no registro feito pela caudalosa e imperdível matéria publicada na página A6 do Estadão, sob o título "Ao lado de tucanos, empresariado faz aposta em Marina".
Pois é, apesar do esforço de FHC, o empresariado amigo já mudou de lado, segundo a pesquisa em tempo real feita entre os comensais pela Fundação Getúlio Vargas e pelo Lide, a sigla do "Grupo de Líderes Empresariais" comandado pelo promoter.
Como diria o Galvão Bueno, o jogo já esteve melhor para Aécio. Neste quinto almoço (olha o regime!) promovido por Dória Júnior só este ano, ao contrário do que aconteceu nos anteriores, antes da morte de Eduardo Campos e da disparada da ex-senadora, os empresários desta vez jogaram suas fichas na vitória de Marina Silva, em clara demonstração de que votaram mais baseados no desejo do que em fatos ao responder à pergunta sobre quem vai ganhar as eleições de 5 de outubro.
Marina Silva, que está derretendo nas últimas pesquisas, ganhou disparado de Aécio: para 53% dos donos da grana, ela vai derrotar o tucano, indicado vencedor por 35%. Apenas 12% apostaram na vitória de Dilma, que vem ampliando sua vantagem em todos os levantamentos.
Em março, Aécio era apontado vencedor por 56%; foi a 60%, em maio, disparou para 80%, em julho, e registrou 64 %, em agosto. Eduardo Campos tinha só 8% em julho e Marina foi a 19% em agosto, após a tragédia aérea. No palanque armado pelo Lide para FHC e Armínio Fraga, "o futuro ministro da Fazenda" de Aécio, ninguém parecia muito preocupado com o destino do ex-governador mineiro e presidente do PSDB.
Se não der para ser com Aécio, a trinca mostrou que não tem nenhum problema em adotar Marina. O importante, para eles, é só derrotar o PT. O país que se dane.
Vida que segue.

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