Ausência de plano de governo foi chamado de "aberração" por Chico Pinheiro. "O senhor pede que eu acredite no senhor pela fé", disse Miriam Leitão

Reprodução
O candidato Aécio Neves (PSDB) em entrevista ao jornal
Bom Dia Brasil, da Rede Globo

Em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil nesta terça-feira, 23, o candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) foi duramente criticado por não ter divulgado o plano de governo para o seu possível mandado no comando do País, menos de duas semanas antes das eleições. "Não apresentar o programa para que o eleitor possa discutir e debater, em uma sociedade democrática ou que se queira democrática, isso é uma aberração", afirmou o jornalista Chico Pinheiro. "Não há um tema sequer sobre o qual não tenhamos discutido amplamente", devolveu Aécio.

"O senhor está pedindo que eu acredite no senhor pela fé. Não tem um plano para apresentar", criticou Miriam Leitão.

O candidato afirmou que a proposta de seu governo é absolutamente clara, porque "aquilo que estamos propondo foi aquilo que nós praticamos ao longo de nossa vida". Sem confirmar a data exata da divulgação do plano de governo, Aécio garantiu que ele será entregue nos próximos dias, "no tempo correto", antes do dia 5 de outubro. "E não será um plano de governo feito a lápis, para que se passe a borracha em cima dele no momento em que se encontre um contencioso", disse, em referência às alterações que a candidata Marina Silva (PSB) realizou em seu plano de governo a respeito de suas propostas ligadas aos direitos LGBT.

A candidata Dilma Rousseff (PT) também não apresentou seu plano de governo.

Na economia, o ex-senador e ex-governador de Minas Gerais foi acusado de não explicitar como lidará com o baixo crescimento brasileiro. "Eu fui ousado: sinalizei quem será o ministro da Fazenda [Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e principal assessor econômico de Aécio] para apontar na direção de política fiscal absolutamente transparente, o oposto do que estamos vivendo." "Um nome não basta", rebateu a jornalista Miriam Leitão.

Em crítica ao governo, Aécio afirmou que o governo do PT "demonizou durante dez anos as PPPs, concessões, privatizações, quase que os considerando um crime de lesa pátria" e de se apoiar na crise internacional para justificar o baixo crescimento. A jornalista da Rede Globo rebateu novamente afirmando que a justificativa já foi utilizada pelo ex-presidente do PSDB Fernando Henrique Cardoso para explicar o seu baixo crescimento em seu segundo mandato - crescimento médio de 2% ao ano.

Aécio voltou a estabelecer a previsibilidade como um dos grandes pilares da sua gestão, além da reorganização das agências reguladoras e da diminuição da taxa de juros a longo prazo.

Fator previdenciário. Aécio negou ainda que tenha se comprometido com as forças sindicais a acabar com o fator previdenciário, criado no governo Fernando Henrique Cardoso. "Assumi o compromisso de discutirmos uma alternativa ao longo do tempo ao fator previdenciário". Aécio reconheceu que o fator previdenciário impacta nas aposentadorias dos trabalhadores. "A médio prazo é possível encontrar alternativas para substitui-lo por algo que impacte menos na renda do aposentado" e negou que esse discurso tenha fins eleitoreiros.

Carta Capital

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