Após reunião em São Paulo, líderes do partido afirmam que é hora de politizar campanha, evitam críticas duras e associam candidatura de Marina a enfraquecimento de bancos públicos e Petrobras
por Redação RBA
VANESSA CARVALHO/BRAZIL PHOTO PRESS/FOLHAPRESS
São Paulo – O PT reuniu hoje (5) alguns de seus principais líderes em São Paulo para discutir a conjuntura eleitoral e reforçar as críticas às candidaturas de Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). O documento final do encontro do diretório nacional ressalta as diferenças entre Dilma Rousseff (PT) e os dois principais oponentes, que não são citados diretamente.
“Os dois candidatos da oposição vestem a fantasia da mudança e de uma suposta nova política, mas seus programas de governo, semelhantes em muitos aspectos do conteúdo, revelam que as mudanças propaladas servem mais aos grupos que os apoiam do que à desejada pela maioria da população”, diz a nota divulgada à imprensa.
O encontro reuniu o presidente da sigla, Rui Falcão, o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad, o ministro licenciado das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, deputados e senadores. A participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi oficialmente confirmada.
Na visão dos petistas, o que está em jogo nesta disputa eleitoral não é a continuidade dos governos do PT, iniciados há 12 anos, mas o futuro do país. “Os governos Lula e Dilma deram passos firmes para melhorar a vida do povo brasileiro. Mas cada avanço conquistado pelos governos Lula e Dilma sofreu uma grande oposição por parte dos setores sociais e políticos ligados ao grande capital, e ao conservadorismo, cujos interesses barraram e dificultam a ampliação da democracia.”
As principais menções diretas a Marina Silva dizem respeito à seara econômica. O partido acusa os candidatos de oposição de representarem o capital financeiro e bancário, o que passa por “liquidar” o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES.
O PT lamenta a ideia de independência do Banco Central, afirmando que se trata de retirar da presidência da República e do Congresso a condução da política econômica “entregá-la a um banqueiro de confiança dos rentistas e especuladores”. A proposta da candidata do PSB é dar mandato fixo ao presidente e aos diretores do BC, que não poderiam ser retirados do cargo pelo chefe de Estado, salvo em casos excepcionais, e que teriam total autonomia para conduzir as políticas de juros e câmbio.
Em seguida, o partido critica especificamente as propostas de Marina para a exploração do petróleo na camada de pré-sal. A campanha de Dilma tem trabalhado a ideia de que a candidata do PSB deixará de lado a riqueza garantida pela atividade petrolífera com base no fato de que seu plano de governo fala a respeito do tema em apenas uma linha. “Não satisfeitos, acenam para as multinacionais do petróleo ao colocarem em xeque o modelo de partilha em vigor para substituí-lo pelo regime de concessão.”
Encontrando o tom
A exemplo do que vinha ocorrendo desde o início da campanha, os petistas reiteraram a ideia de que Dilma é a única candidata à presidência que tem possibilidade de aperfeiçoar o sistema democrático e promover reformas importantes nas questões tributária e política.
Durante o evento, os representantes do partido foram questionados sobre qual linha será adotada em relação às críticas a Marina. Na terça-feira foi aberta uma ofensiva que passou por um ato de Lula e Dilma em São Bernardo do Campo, entrevistas e discursos em Brasília e uma propaganda eleitoral que associava a ex-ministra a Jânio Quadros e Fernando Collor, presidentes que não terminaram o mandato. Depois, na quinta, o programa na televisão adotou tom mais brando, na mesma linha do que disse o vice-presidente da República, Michel Temer, que afirmou que a própria conjuntura tratará de desconstruir a candidatura da oponente.
Hoje o discurso seguiu na mesma linha da véspera, evitando menções diretas a Marina e críticas mais duras. Rui Falcão referiu-se à candidata como a “adversária da oposição”, associando-a a uma redução da democracia nacional. “Ao longo das próximas semanas trabalharemos para politizar as eleições presidenciais, mostrando quais interesses estão por trás de cada candidatura, lembrando como era o país até 2002, falando das mudanças que fizemos a partir de 2003, e principalmente apontando as principais mudanças que faremos a partir de 2015”, disse. “O programa é ortodoxo na economia, conservador nos direitos individuais, regressivo nas propostas de reforma política.”
Berzoini rejeitou a ideia de que o PT tenha promovido ataques em tom excessivo contra Marina e afirmou que a estratégia de comunicação tem de ser avaliada a cada momento de campanha. “Eu trabalho com a ideia de que é preciso construir a vitória. Não tem nenhum trabalho de desconstrução. Tem que se trabalhar o contraditório e a verdade dos fatos a partir da ótica de cada candidatura”, disse.
Secretário municipal de Relações Governamentais de São Paulo, Paulo Frateschi criticou o programa eleitoral que associa Marina a Collor e disse que o importante é mostrar o perigo das propostas da candidata do PSB na seara econômica. “Não é a nossa linha. Tem que mudar rapidamente. Você tem que deixar o povo concluir”, afirmou. “Ela tem apoio popular? Não. Ela tem apoio no Congresso? Não.”
RBA
por Redação RBA
VANESSA CARVALHO/BRAZIL PHOTO PRESS/FOLHAPRESS
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| Falcão durante ato de dirigentes do PT: para ele, 'candidata adversária' representa perigos |
São Paulo – O PT reuniu hoje (5) alguns de seus principais líderes em São Paulo para discutir a conjuntura eleitoral e reforçar as críticas às candidaturas de Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). O documento final do encontro do diretório nacional ressalta as diferenças entre Dilma Rousseff (PT) e os dois principais oponentes, que não são citados diretamente.
“Os dois candidatos da oposição vestem a fantasia da mudança e de uma suposta nova política, mas seus programas de governo, semelhantes em muitos aspectos do conteúdo, revelam que as mudanças propaladas servem mais aos grupos que os apoiam do que à desejada pela maioria da população”, diz a nota divulgada à imprensa.
O encontro reuniu o presidente da sigla, Rui Falcão, o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad, o ministro licenciado das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, deputados e senadores. A participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi oficialmente confirmada.
Na visão dos petistas, o que está em jogo nesta disputa eleitoral não é a continuidade dos governos do PT, iniciados há 12 anos, mas o futuro do país. “Os governos Lula e Dilma deram passos firmes para melhorar a vida do povo brasileiro. Mas cada avanço conquistado pelos governos Lula e Dilma sofreu uma grande oposição por parte dos setores sociais e políticos ligados ao grande capital, e ao conservadorismo, cujos interesses barraram e dificultam a ampliação da democracia.”
As principais menções diretas a Marina Silva dizem respeito à seara econômica. O partido acusa os candidatos de oposição de representarem o capital financeiro e bancário, o que passa por “liquidar” o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e o BNDES.
O PT lamenta a ideia de independência do Banco Central, afirmando que se trata de retirar da presidência da República e do Congresso a condução da política econômica “entregá-la a um banqueiro de confiança dos rentistas e especuladores”. A proposta da candidata do PSB é dar mandato fixo ao presidente e aos diretores do BC, que não poderiam ser retirados do cargo pelo chefe de Estado, salvo em casos excepcionais, e que teriam total autonomia para conduzir as políticas de juros e câmbio.
Em seguida, o partido critica especificamente as propostas de Marina para a exploração do petróleo na camada de pré-sal. A campanha de Dilma tem trabalhado a ideia de que a candidata do PSB deixará de lado a riqueza garantida pela atividade petrolífera com base no fato de que seu plano de governo fala a respeito do tema em apenas uma linha. “Não satisfeitos, acenam para as multinacionais do petróleo ao colocarem em xeque o modelo de partilha em vigor para substituí-lo pelo regime de concessão.”
Encontrando o tom
A exemplo do que vinha ocorrendo desde o início da campanha, os petistas reiteraram a ideia de que Dilma é a única candidata à presidência que tem possibilidade de aperfeiçoar o sistema democrático e promover reformas importantes nas questões tributária e política.
Durante o evento, os representantes do partido foram questionados sobre qual linha será adotada em relação às críticas a Marina. Na terça-feira foi aberta uma ofensiva que passou por um ato de Lula e Dilma em São Bernardo do Campo, entrevistas e discursos em Brasília e uma propaganda eleitoral que associava a ex-ministra a Jânio Quadros e Fernando Collor, presidentes que não terminaram o mandato. Depois, na quinta, o programa na televisão adotou tom mais brando, na mesma linha do que disse o vice-presidente da República, Michel Temer, que afirmou que a própria conjuntura tratará de desconstruir a candidatura da oponente.
Hoje o discurso seguiu na mesma linha da véspera, evitando menções diretas a Marina e críticas mais duras. Rui Falcão referiu-se à candidata como a “adversária da oposição”, associando-a a uma redução da democracia nacional. “Ao longo das próximas semanas trabalharemos para politizar as eleições presidenciais, mostrando quais interesses estão por trás de cada candidatura, lembrando como era o país até 2002, falando das mudanças que fizemos a partir de 2003, e principalmente apontando as principais mudanças que faremos a partir de 2015”, disse. “O programa é ortodoxo na economia, conservador nos direitos individuais, regressivo nas propostas de reforma política.”
Berzoini rejeitou a ideia de que o PT tenha promovido ataques em tom excessivo contra Marina e afirmou que a estratégia de comunicação tem de ser avaliada a cada momento de campanha. “Eu trabalho com a ideia de que é preciso construir a vitória. Não tem nenhum trabalho de desconstrução. Tem que se trabalhar o contraditório e a verdade dos fatos a partir da ótica de cada candidatura”, disse.
Secretário municipal de Relações Governamentais de São Paulo, Paulo Frateschi criticou o programa eleitoral que associa Marina a Collor e disse que o importante é mostrar o perigo das propostas da candidata do PSB na seara econômica. “Não é a nossa linha. Tem que mudar rapidamente. Você tem que deixar o povo concluir”, afirmou. “Ela tem apoio popular? Não. Ela tem apoio no Congresso? Não.”
RBA

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