por Tereza Cruvinel
No último dia 7 de Setembro, 1.744.872 pessoas de todas as regiões do Brasil votaram pela Internet no plebiscito popular, organizado por 450 entidades da sociedade civil sobre a reforma política. Entre estas, 96,9% (1.691.006) votaram SIM à constituinte exclusiva para reformar o sistema Político, e 3,1% (53.866) votaram NÃO. Outros milhares votaram através das 40 mil urnas físicas e estes votos ainda estão sendo apurados pelos 1.800 comitës organizativos. Toda esta mobilização, entretanto, mereceu da grande mídia um silëncio ensurdecedor, que fala de sua desconexão com os movimentos populares. Afora uma nota aqui (como a de Ilimar Franco hoje no Globo), outra ali, nada na mídia impressa nem nos meios eletrônicos.
No último dia 7 de Setembro, 1.744.872 pessoas de todas as regiões do Brasil votaram pela Internet no plebiscito popular, organizado por 450 entidades da sociedade civil sobre a reforma política. Entre estas, 96,9% (1.691.006) votaram SIM à constituinte exclusiva para reformar o sistema Político, e 3,1% (53.866) votaram NÃO. Outros milhares votaram através das 40 mil urnas físicas e estes votos ainda estão sendo apurados pelos 1.800 comitës organizativos. Toda esta mobilização, entretanto, mereceu da grande mídia um silëncio ensurdecedor, que fala de sua desconexão com os movimentos populares. Afora uma nota aqui (como a de Ilimar Franco hoje no Globo), outra ali, nada na mídia impressa nem nos meios eletrônicos.
O movimento que preparou esta consulta começou no ano passado, depois das manifestações de junho, quando ficou evidente a falência do atual sistema eleitoral para garantir a legitimidade de nosso regime democrático baseado na representação popular através dos partidos políticos. Entre as 450 instituições patrocinadoras há sindicados, organismos de classe, associações civis as mais diversas e apenas três partidos políticos: PT, PC do B e PCR. Não sei que peso eles tiveram na mobilização, que não contou com apoio oficial da Justiça Eleitoral ou de qualquer agência do Estado. Foi realizado graças ao engajamento de milhares de militantes e ativistas de todas as partes do Brasil, preocupados com os rumos da democracia que, aos trancos e barrancos, o povo brasileiro vem construindo e aprimorando. Trata-se de um movimento independente que, em algum momento, terá de ser ouvido, se náo pelas midias, pelo menos pelos partidos e políticos que se sustentam sobre um sistema erodido pelo descredito na política, decorrente dos delitos de uns e da campanha movido pelos agentes do negativismo contra a atividade política. O resultado final da consulta será divulgado no dia 24 de setembro, quando será apresentado aos dirigentes do Congresso, aos partidos e aos candidatos a presidente.
O silëncio da mídia sobre o plebiscito expressa, além de sua dissintonia com as iniciativas populares, a descrença no resultado de tudo que näo tem origem no status quo. A História, entretanto, já mostrou algumas vezes que o caminho social pode nascer das pequenas trilhas. Em 1983, um jovem deputado de terno branco e chapéu panamá, recém chegado ä Câmara, chamado Dante de Oliveira, corria atrás dos jornalistas no Salão Verde da Cãmara para falar de sua proposta de emenda constitucional restabelecendo as eleiçoes diretas para presidente da Repúblicas. Que utópico, diziamos nós, e o ouviamos por delicadeza. Saia um registro aqui, outro ali. Ate que em algum momento dr. Ulysses Guimaráes, como nós e todos o chamávamos, colocou-a na agenda do PMDB. Os outros partidos de oposição se juntaram, levantaram a bandeira e aconteceu a memorável campanha das diretas-já.
Seja através do plebiscito, do referendo ou de uma iniciativa corajosa do Congresso, a reforma política terá que vir. Assim como passado eram inexoráveis a anistia, o fim do arbítrio, as eleições diretas e a Constituinte. Quem não gosta da ideia, trate de assimilar isso.

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