Agora as coisas estão mais claras!

Enquanto a mídia brasileira, sórdida como sempre, tenta faturar politicamente com o declínio das ações da Petrobrás, a imprensa internacional começa a desvendar o que está por trás da brutal queda nas cotações internacionais de petróleo.

Duas matérias na Reuters nos dão uma ideia do que está acontecendo.

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Antes, duas notícias boas.

1) As ações da Petrobrás pararam de cair. Na Bovespa, devem fechar acima de R$ 9,4, com alta entre 2% e 4%.

2) Na bolsa de NY, os papeis da Petrobrás também estão terminando o pregão em alta, valendo US$ 6,39. Ontem, haviam fechado em $6,26.

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As duas notícias da Reuters são as seguintes.

Uma fala sobre a violenta desvalorização do rublo, moeda russa, causada pelo declínio dos preços do petróleo.

Outra fala sobre a estratégia da Arábia Saudita, aliada dos EUA, de usar o petróleo para atingir a Rússia e o Irã, ambos sofrendo sanções econômicas da ONU e ambos fortemente dependentes do petróleo.

A Arábia Saudita, regida por sunitas, é inimiga mortal do Irã, controlado por xiitas, e quer reduzir a influência dos aiatolás na região.

Conclui-se facilmente que os EUA estão por trás da tática, visando dois objetivos:

1) Vergar o governo russo, que venceu uma guerra fria (ou nem tão fria assim) na Ucrânia; apoiou a Síria e fornece tecnologia nuclear ao Irã.

2) Derrubar o regime iraniano, cuja economia, já fragilizada pelas sanções, depende mais do que nunca de preços do petróleo acima de US$ 100. Os EUA são inimigos mortais do Irã, por constituírem o último produtor de petróleo no oriente médio não alinhado ao império, e com planos de desenvolver tecnologia nuclear.

A Petrobrás é uma vítima colateral do processo (ou nem tão colateral assim, como veremos a seguir).

Sua situação agrava-se, naturalmente, pelos bombardeios internos causados pela operação Lava Jato.

Os EUA vivem uma situação energética temporariamente confortável, por causa da nova tecnologia que lhe permite explorar o petróleo de xisto. E também porque a economia americana, ainda deficitária em petróleo, não perde com a queda nos preços do combustível. Ao contrário, a medida ajuda a baixar o custo de vida dos americanos.

Sem contar a possibilidade, algo conspiratória, dos EUA também estarem interessados em baixar a bola do Brasil, que acaba de realizar três grandes operações militares: a compra dos caças suecos, num processo que transferirá tecnologia para o Brasil produzir seus próprios caças; o avanço da construção do nosso primeiro submarino nuclear; e o lançamento bem sucedido de um satélite em conjunto com a China.

A nova direita americana, paranoica e aberta aos delírios do Tea Party, deve temer que um governo forte no Brasil possa enveredar-se em aventuras “bolivarianas”.

Não podemos esquecer que a NSA espionou a Petrobrás e a presidenta Dilma.

Com uma operação assim, os EUA matam três coelhos com uma só porrada.

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A economia brasileira, todavia, não é, nem de longe, tão dependente do petróleo como Rússia ou Irã.

A queda no preço do barril apenas leva a Petrobrás a postergar investimentos, aguardando a poeira assentar, e as coisas se normalizarem.

Como o Brasil, assim como os EUA, ainda consome mais do que produz, a queda nos preços do petróleo ajuda a derrubar a inflação.

A Petrobrás, por sua vez, tem a vantagem de ser a principal revendedora de refinados no país, um negócio que se beneficia dos preços baixos do barril.

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Conclusão: a queda no preço do petróleo e, por consequência, no valor das ações da Petrobrás, tem motivos geopolíticos muito mais profundos do que um escândalo de corrupção, o qual está sendo investigado e punido.

A Petrobrás resistirá, e sairá da crise ainda mais forte, porque mais enxuta e mais experiente.

A economia brasileira, por sua vez, enfrentará a crise com relativa facilidade, em virtude de sua enorme diversificação.

A guerra entre Obama e Putin nos afeta, claro, mas a economia brasileira saberá se ajustar rapidamente às novas variáveis.

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