Sugiro que nos internemos, todos, num hospício e só Eduardo Cunha permaneça livre. Pois estamos loucos. E eu provo.
Estamos loucos – tanto é que acreditamos nas autoridades suíças que informaram terem bloqueado 5 milhões de dólares cujos beneficiários são Eduardo Cunha e sua mulher, Claudia Cruz, acusação de que ele foge como o diabo da cruz.
Estamos loucos – tanto é que acreditamos em operadores presos na Lava Jato que informaram ter depositado 5 milhões de dólares na conta de Eduardo Cunha, o que ele nega de pés juntos.
Estamos loucos porque entendemos que, quando Eduardo Cunha cancela na última hora viagem à Itália, logo depois das notícias de contas bloqueadas na Suíça, o gesto tem a mesma motivação de Paulo Maluf e de Marco Polo Del Nero, arriscados a cair nas malhas da Interpol se puserem os pés para fora do Brasil. Mas Eduardo Cunha cancelou, disse ele, para ir ao casamento de Romero Jucá.
Estamos loucos porque entendemos que esses fatos deveriam provocar reações de repúdio de toda a Câmara dos Deputados, mas o líder do maior partido de oposição, Carlos Sampaio, do PSDB, vem a público, com aquele semblante de João Bafo-de-Onça do "Tio Patinhas", nos avisar que não há por que deixar de apoiar Eduardo Cunha, não há provas contra ele.
Nós, que estamos loucos, nos indagamos como esse líder pode, ao mesmo tempo, defender alguém com tantas marcas de batom na cueca e querer impeachment de uma presidente que não tem nenhum. Mas ninguém nos dá atenção. Estamos loucos.
Nós estamos loucos! Nós que achamos que uma pessoa sob o peso de tantas acusações vindas de tantos lados diferentes não tem condições morais de permanecer à frente da Câmara dos Deputados. E continuar sendo o segundo na sucessão presidencial.
Nós que achamos que um presidente dessa envergadura contribui para a desmoralização de toda a Câmara dos Deputados.
Nós que achamos que as leis são iguais para todos.
Por isso proponho: nos internemos todos.
Menos Eduardo Cunha. Ele é o único são.

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