Dalmo Dallari (Foto: Reprodução)



Folheando e citando calmamente as páginas da Constituição colocada sobre a bancada, o professor Dalmo Dallari, de 83 anos, foi desmontando uma a uma as teses da oposição golpista e dos seus "juristas do impeachment".

No mesmo dia em que o trio Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, sempre acompanhado de Carlos Sampaio, o papagaio de pirata que é líder do PSDB na Câmara, registrou num cartório paulista a terceira versão do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, tive a oportunidade de ver à noite a verdadeira aula de Direito Constitucional e de democracia ministrada por Dallari no programa "Diálogos", de Mário Sérgio Conti, na "Globo News".

Num País onde a imprensa chama qualquer advogado de "jurista", dependendo das causas que defende, é bom ouvir a voz serena de quem dedicou a vida a estudar e ensinar os princípios fundamentais dos Direitos Humanos e do Estado de Direito. No final da lição, o professor da veneranda Faculdade de Direito do Largo de São Francisco ainda teve a grandeza de destacar o papel deletério dos veículos da grande imprensa na atual crise política.

Em resumo, ele disse com todas as letras, citando artigos, parágrafos e incisos, que não há fundamentos jurídicos para o pedido de impeachment. Nunca fomos amigos pessoais de um frequentar a casa do outro, mas sempre admirei a pessoa jurídica do professor Dalmo Dallari, com quem trabalhei na Comissão de Justiça e Paz e cruzei inúmeras vezes em todas as lutas pela redemocratização.

Temos duas coisas em comum: batalhamos pelos mesmos ideais e nunca pertencemos a nenhum partido político. Acima das lutas partidárias e dos interesses pessoais, sempre colocamos nossa missão profissional a serviço da sociedade, cada um na sua área, ao contrário de alguns que se apresentam agora como salvadores da Pátria, da moral e dos bons costumes políticos.

Dallari não alimenta sentimentos vingativos por ter tido interesses contrariados, nem busca holofotes fáceis no ocaso da carreira. Nunca mudou de lado. É fiel à sua própria história e ao que está escrito na Constituição Federal.

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