Não a deixaram trabalhar em nenhum momento

A maior vítima dessa farsa indecente é Dilma.

Acusam-na de ter feito um segundo mandato desastroso, mas só uma gargalhada para responder a isso.

Ora, Dilma foi impedida de governar desde antes de ser empossada pela segunda vez.

De roubo na contagem de votos a acusações relativas ao dinheiro da campanha, de pedaladas fiscais a sabe-se lá mais o que, a oposição simplesmente infernizou Dilma.

A mídia, liderada pela Globo, que seus próprios funcionários chamam de Império do Mal, cobriu de luzes golpistas como Aécio e FHC desde que saíram os resultados.

Eduardo Cunha foi também abjetamente estimulado pela mídia mesmo quando até sua mãe já sabia que se tratava de um coletor de recursos públicos e de um mentiroso patológico.

Só quando os suíços o desmascararam – não Moro e sua Lava Jato — é que a imprensa tirou-o do ar.

Com as mãos livres, Cunha pôde, primeiro, boicotar todas as iniciativas do governo. Depois, já conhecida sua história de roubalheira ampla, geral e irrestrita, ainda teve tempo de dar início ao processo de impeachment.

Um impeachment em cuja origem está Eduardo Cunha é uma vergonha nacional, uma página sinistra que a posteridade registrará.

O mais patético é que se soube há poucos dias a razão da ofensiva de Cunha contra Dilma. Em sua delação, Delcídio disse que Cunha começou a atacar Dilma depois que ela tirou homens seus do esquema de corrupção de Furnas, aquele mesmo em que Aécio mordia um terço e cobrava as propinas na condição de chato-mor.

Eduardo Cunha é o símbolo do Brasil destes dias. Ainda solto depois de tantos meses depois das provas de corrupção fornecidas pela Suíça, ele teve a coragem de dizer que vai providenciar um processo de impeachment “rápido” por ser um assunto importante.

Ora, ora, ora.

Justo ele, que por manobras canalhas de toda espécie vem retardando criminosamente de todas as formas o trabalho da comissão de ética que pode e deve cassá-lo. Segundo a visão de Cunha, o cargo de presidente da Câmara é irrelevante, já que não há necessidade de rapidez para definir se ele fica ou sai.

O Brasil endoidou.

Não bastasse tudo isso, Dilma foi atacada por uma operação, a Lava Jato, destinada não a erradicar a corrupção, vê-se agora muito bem, mas a derrubá-la e a prender Lula.

É um paradoxo. Sérgio Moro, o herói, morre de medo de enfrentar Lula nas urnas.

No roteiro do golpe, o candidato à presidência é Moro. Aécio se enrolou muito na corrupção. Nem a mídia amiga conseguiu abafar suas delinquências.

Moro é o homem. Agora, é uma saída perfeita para os golpistas só e somente só Lula estiver de fora, preso.

Nem em seus delírios megalomaníacos Moro ignora que seria surrado espetacularmente por Lula numa disputa nas urnas.

Mas antes da prisão de Lula é necessário derrubar Dilma.

Incorruptível num mundo político putrefato, ela é a maior vítima das barbaridades que estão sendo cometidas contra a democracia.

Quantos votos tem Moro? E a Globo? E Gilmar?

Dilma teve 54 milhões, mas voto popular, como notou o blogueiro Mário Magalhães, parece ter escasso valor no Brasil de alardeadas instituições “fortes”.

Dilma tentou trabalhar. Não deixaram. E é acusada de não ter trabalhado.

É uma nação psicopata esta que está sendo atacada por uma plutocracia predadora.

DCM

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