A melhor saída vai ser as ruas


A plutocracia venceu.

Quer dizer: por ora, venceu.

Uma Câmara eleita pelo dinheiro das grandes empresas decidiu cassar 54 milhões de votos.

A pior Câmara que o dinheiro pôde comprar decidiu por sabotar a democracia.

Corruptos abraçados a bandeiras brasileiras juraram em nome de Deus combater a corrupção, num espetáculo de cinismo brutal.

Não gosto de maniqueísmo, mas o fato é que o mal venceu. Não se pode classificar de outra forma um grupo que reunia Globo, Eduardo Cunha, Michel Temer, Bolsonaro, Malafaia.

É a escória da escória.

Poucos anos atrás, quando ocorreu um golpe parlamentar no Paraguai, parecia impossível que a mesma coisa pudesse ocorrer no Brasil. Era coisa de republiquetas, pensávamos.

Mas viramos um imenso Paraguai.

Teoricamente, o jogo ainda não está liquidado. Caberá ao Senado chancelar, ou não, o impeachment.

Mas o fato é que alguma coisa se encerrou neste domingo.

Morreu, acima de tudo, a ideia de que a plutocracia brasileira poderia se comportar civilizadamente e não da forma predadora que ao longo dos tempos sempre foi sua marca.

O PT acreditou num milagre, e pagou caro pela credulidade. Num de seus erros mais formidáveis, financiou, com multimilionárias verbas publicitárias e empréstimos em bancos oficiais, a mídia que desempenharia um papel tão crucial na desestabilização do governo.

O PT, na ilusão em que se meteu, se afastou dos movimentos sociais – e das ruas. Voltou às ruas apenas quando os golpistas já tinham avançado demais. As manifestações das últimas semanas deveriam ter começado muito tempo atrás, quando analfabetos políticos manipulados e estimulados pela mídia ocuparam as ruas e passaram a bater panelas.

E agora?

Um grande pensador do passado disse que a situação desesperadora de seu país, paradoxalmente, o enchia de esperança.

É uma frase que se aplica ao Brasil de 2016.

A esquerda brasileira contemporânea – não só o PT — decerto aprendeu com a calamidade que se abateu sobre ela e sobre o país. Sua fragmentação apenas facilitou o trabalho da plutocracia.

Mas segunda-feira a vida continua.

A melhor resposta para o quadro que se armou neste domingo estará nas ruas.

Como disse Jandira Feghali num voto memorável neste domingo, “a luta apenas começou”.

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