Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), nesta segunda-feira (18), afirmou que a aprovação de abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff deixou claro ao país que se tratou de um golpe. Ela também disse que foi constrangedor assistir Eduardo Cunha, réu em ação de corrupção no Supremo, e lamentável deputados utilizando argumentos como família, netos, marido, mulher, religião, combate à corrupção. “Menos crime de responsabilidade”, observou a parlamentar, que ainda lamentou o comportamento da bancada do Paraná: “Exceção à deputada Christiane Yared”.
Gleisi Hoffmann*
Se havia alguma dúvida, ela acabou. Ontem ficou claro para o Brasil que o processo de impeachment da presidenta Dilma é um golpe.
Durante a votação, assistimos deputados usando todo tipo de argumento: família, netos, marido, mulher, religião, combate à corrupção. O que não vimos foi falarem do suposto crime de responsabilidade que Dilma teria cometido.
Isso porque Dilma não cometeu crime algum e os deputados sabem disto. Nem um fato sequer foi encontrado contra a presidenta. Nada que tornasse este processo constitucional. Sua origem é viciada, nasce do desejo de vingança, sob premissa falsa. Foi incentivado e conduzido por Eduardo Cunha. Foi constrangedor ouvir os discursos irados contra a corrupção e ver um dos maiores envolvidos em corrupção dirigir a sessão.
A bancada do Paraná, meu Estado, votou majoritariamente pelo impeachment, pelo golpe. Falaram da corrupção como se vivessem num Estado governado por virtuosos, por um governador honesto e sério. Foi muita hipocrisia! Poderiam, pelo menos, ser coerentes e denunciar aquele governo. Exceção à deputada Christiane Yared. Quem era contra a corrupção não poderia aceitar um impeachment conduzido por Eduardo Cunha!
Os defensores do golpe não votaram de acordo com suas consciências. Votaram por oportunismo e por covardia de se opor aos desejos da mídia, de Eduardo Cunha e dos movimentos fascistas, que influenciaram a opinião pública ao longo dos últimos meses. Se aproveitam da grande campanha agressiva de desconstrução da presidenta para fazer o discurso fácil e moralista “contra a corrupção”. Isso tudo com o aval do conspirador vice-presidente, Michel Temer, e do candidato derrotado nas urnas, Aécio Neves. Uma vergonha, um retrocesso para a democracia. Relativizaram o poder do voto.
Ontem foi um dia triste pelo episódio lamentável que a Câmara dos Deputados protagonizou. Mas hoje já estamos descansados e bem vivos, prontos pra continuar a luta. O Senado da República é uma Casa mais equilibrada, aqui faremos a discussão de mérito, aqui impediremos a concretização do golpe. Aqui defenderemos a democracia. Nos últimos anos, o Senado da República não faltou ao país, corrigindo os erros e excessos da Câmara. O fará novamente agora.

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