A quadrilha que assaltou o poder tenta aparentar que está tranquila. Segundo o noticiário da mídia chapa-branca, nutrida com milhões em publicidade, Michel Temer teria folgada maioria na Câmara Federal para abortar a segunda denúncia de Rodrigo Rodrigo Janot, o ex-procurador-geral da República – que acusou o golpista de comandar uma “organização criminosa” e de obstruir a Justiça. O chefe do “quadrilhão”, porém, pode ter surpresas desagradáveis. A base fisiológica e mercenária de apoio no parlamento está em guerra e exige cada vez mais benesses – em emendas e outras mutretas – para salvar a pele do usurpador. Na semana passada, uma cena risível ilustrou este cenário perigoso, conforme registro da Folha:

“O ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) passou por um constrangimento durante solenidade na manhã desta quarta (13), na Câmara dos Deputados. O vice-presidente da Casa, Fábio Ramalho (PMDB-MG), se recusou a cumprimentá-lo e o chamou de ‘bosta’ e ‘merda’ na frente de todas as outras autoridades... O desentendimento começou quando os políticos presentes se preparavam para começar a solenidade em que a Câmara formalizou o compromisso de repassar aos cofres do Tesouro Nacional R$ 221 milhões arrecadados com a venda da administração da folha de pagamento da Casa. Você é um bosta, um merda’, repetiu algumas vezes Ramalho após recusar o cumprimento do ministro de Temer”.

A briga por espaços no covil dos golpista deixou a penumbra do esgoto. Agora é pública e violenta. Deputados do PMDB e dos partidos do chamado “Centrão” tentam escantear o PSDB, acusando a sigla de ocupar vários cargos no governo e de não ser fiel ao Judas Michel Temer. Eles lembram da votação da primeira denúncia do Rodrigo Janot, quando parte dos tucanos votou pela admissão da investigação. Antonio Imbassahy, o responsável pela articulação política da quadrilha no parlamento, passou a ser o principal alvo dos deputados avarentos. Segundo o noticiário da mídia, diariamente o grão-tucano é motivo de intrigas na patética base governista. A disputa por espaços – e grana – é cada dia mais encarniçada.

Ainda segundo a Folha, Antonio Imbassahy não lidera ninguém na Câmara Federal. "Para o deputado Ramalho, 'o Temer é que é o real articulador político do governo. Eu disse a ele [Imbassahy] que ele não vale nada, não tem um voto na Câmara. Ele cuida muito do dele, e esquece deputado. Só pensa nele, só faz coisas pra ele. Faz uma pesquisa aí entre os deputados. Aí eu disse: 'Vai se catar'... Ramalho não especificou quais demandas exatamente teriam sido frustradas no seu contato particular com o ministro... O governo atribui a insatisfação de Ramalho a uma disputa por cargos no Ministério das Cidades. O deputado esteve no Palácio do Planalto esta semana para cobrar espaços na pasta, mas não conseguiu ser atendido por Imbassahy”.

Haja ratos no covil golpista! Neste ambiente fétido e putrefato, as traições sempre são possíveis!



Altamiro Borges

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