Por Altamiro Borges

O onipresente Grupo Globo – com seus canais de televisão, rádio, jornais, revista e site – não para de difundir o depoimento do trânsfuga Antonio Palocci ao carrasco Sergio Moro. O alvo, como sempre, é o ex-presidente Lula e o bordão ‘pacto de sangue’ é martelado na cabeça dos ‘midiotas’. O mesmo império de comunicação que fez de tudo para abafar a histórica Caravana de Lula pelo Nordeste tenta criar um clima na sociedade para que o carismático líder petista seja preso ou impedido de disputar as eleições presidenciais de 2018 – se é que elas vão ocorrer. Antes do depoimento sem provas, porém, Antonio Palocci metia medo na famiglia Marinho e nos banqueiros. Será que houve algum acordo para salvar a Rede Globo e os abutres financeiros?

No final de junho passado, a jornalista Mônica Bergamo publicou na Folha uma nota emblemática: “A força-tarefa da Operação Lava Jato está apreensiva com o impacto da delação de Antonio Palocci no sistema financeiro do país. Estuda uma forma de, ao contrário do que ocorreu com as empreiteiras, preservar as instituições e os empregos que geram... Uma das ideias que já circularam seria a de se promover uma complexa negociação com os bancos antes ainda da divulgação completa dos termos da delação de Palocci. Quando eles viessem a público, as instituições financeiras já teriam feito acordos de leniência com o Banco Central, pagando as multas e liquidando o assunto”. O tal “acordo” foi feito? Quais os seus termos?

A mesma Folha também publicou outras duas notinhas bombásticas na coluna Painel. A primeira alertava que “o mercado entrou em polvorosa com a proximidade do fechamento da delação do ex-ministro Antonio Palocci, o principal interlocutor do PT com o empresariado”. A segunda dava mais detalhe sobre o pânico. “Palocci está disposto a colocar na mesa de negociação de sua delação uma cartada valiosa: informações que ajudariam a desvendar irregularidades investigadas pela Operação Zelotes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf)... A Zelotes apura esquema de sonegação que envolvia grandes empresas, bancos inclusive, e membros do órgão ligado à Fazenda”. Uma das sonegadoras citadas foi a Rede Globo.

Já em meados de julho, o Jornal do Brasil estampou no título. “Delação de Palocci avança com possibilidade de envolver mídia e mercado financeiro”. Segundo a nota, “a Procuradoria-Geral da República acelera os trabalhos para finalizar a negociação de pelo menos cinco acordos de delação premiada até a saída do chefe do órgão, Rodrigo Janot, em 17 de setembro. Uma das que ganham ‘fôlego’ é a do ex-ministro Antonio Palocci, que pode entregar as negociações que favoreceram grupos de mídia como a Globo e nomes do mercado financeiro... A proposta inicial de delação de Palocci não tinha animado os investigadores, supostamente por não apresentar nomes com foro e nem assumir a prática de crimes”.

Quando a ameaça de revelar as podridões dos bancos e da mídia veio à tona, o justiceiro Sergio Moro – que tem fortes laços com a cloaca empresarial e é muito paparicado pela famiglia Marinho – fez de tudo para abortar a delação de Antonio Palocci. Chegou a dizer que não se submeteria “à chantagem” do ex-ministro. Agora, porém, convertido em um pulha desesperado, Antonio Palocci ganha todos os holofotes da TV Globo. O que será que rolou nas tratativas de Sergio Moro com o trânsfuga?


Altamiro Borges

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