Protestos movimentaram a argentina e agora começa a cobrança para descobrir e responsabilizar os assassinos de Maldonado (crédito imagem: scoopnest)
Por Joaquim de Carvalho
Maldonado é considerado a primeira vítima das forças policiais do governo Macri, pois desapareceu depois de participar de protestos. Leia trecho da reportagem publicada pelo El País há dois dias, quando ainda não se tinha certeza de que o corpo encontrado no rio Chubut era de Maldonado:
Levaram 77 dias para encontrá-lo, mas ele estava muito perto. A cerca de 300 metros do lugar da Patagônia em que Santiago Maldonado desapareceu, a polícia encontrou um cadáver. Ainda não foi confirmado que se trata do desaparecido, mas parece a opção mais provável. Um membro do Governo informou ao EL PAÍS que, à espera da confirmação oficial, tudo indica que seja ele. O corpo apareceu no rio Chubut, que havia sido inspecionado sem sucesso diversas vezes desde o desaparecimento de Maldonado, em 1.o de agosto, quando ele participava de um protesto em apoio a um grupo de mapuches que ocuparam uma propriedade do grupo Benetton. O assunto do último desaparecido gerou multitudinárias manifestações e monopolizou a política argentina durante semanas. A notícia chega faltando cinco dias para as eleições.
A possibilidade de que o corpo de Santiago Maldonado estivesse no rio foi considerada durante muito tempo, mas todas as tentativas de encontrá-lo com mergulhadores especializados fracassaram. Por isso, os grupos da oposição e a família de Maldonado insistiam que, para eles, a principal hipótese era que a Gendarmería, a polícia que interveio na operação de 1.o de agosto contra os mapuches, o havia sequestrado e escondido o cadáver.
Maldonado pode ser a primeira vítima política de forças de segurança depois da redemocratização da argentina. Para ser ter ideia do que isso significa, é como se, no Brasil, um líder como Guilherme Boulos ou João Pedro Stédile desaparecesse misteriosamente depois de participar de protestos.
A morte de Maldonado lembra o que aconteceu com Chico Mendes, líder seringueiro, no Acre, no final da década de 80, assassinado a mando de ruralistas.
É grave.
O fato deve movimentar a Argentina.
DCM

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