Dilma Rousseff e Lula parecem estar bem sintonizados no propósito de perdoar os agressores golpistas. Ainda acreditam em conciliação?

Roberto Stuckert Filho/PR Dilma na Alemanha: "Quem bateu panela acabou por se dar conta de que não estava salvando o Brasil"

Ao encerrar a caravana de sete dias de viagem por Minas Gerais, Lula desceu do palanque na capital do estado, Belo Horizonte, e deixou para trás uma bomba política para explodir dentro do PT, ao propor o perdão para os que apoiaram o golpe, o impeachment e destituíram a presidenta Dilma Rousseff.

Dilma, em viagem política pela Europa, enfrentou tranquilamente a pergunta feita a partir da proposta de Lula. Ela respondeu: “O Brasil precisa se reencontrar”. Na sequência da resposta, acrescentou que o PT não deve ter espírito vingativo nas próximas eleições.

Eleita democraticamente pelas urnas, ela, talvez com alguma ironia, reafirmou o remédio: “Perdoar a pessoa que bateu panela achando que estava salvando o Brasil, e que depois se deu conta de que não estava”.

Resta hoje o choro e o ranger de dentes. Um sentimento de reação à esquerda e entre alguns militantes petistas. Lula propõe acabar com isso e se dispõe a enfrentar a Justiça. É o caso de esquecer o resto. A história aponta um caminho para o ex-presidente.

Em 1950, o líder comunista Luís Carlos Prestes saiu da cadeia e foi imediatamente para o palanque de Getúlio Vargas, que então disputava a Presidência da República. Prestes, comprometido com a esquerda, sabia onde esta morava e onde residia a direita.

Situação semelhante ocorreu em 2002, quando foi escolhido o empresário José Alencar para vice-presidente na chapa de Lula e o petista buscava, então, amenizar as forças conservadoras contra o PT. Deu certo ao longo de dois mandatos de Lula e no primeiro mandato de Dilma, interrompido o segundo pelo golpe de 2016.

Nesse sentido de apaziguamento, os propósitos de Lula parecem ser os mesmos. Os números das pesquisas mostram que o petista está acima de 40% e pode ampliar o apoio. Bastaria para tanto a adesão de porções da classe média. Cabe-lhes fazer a opção. No entanto, esta linha de brandura cristã já não deu certo.

CartaCapital

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