Pesquisa após pesquisa, Jair Bolsonaro vai mostrando que um “naco” de 15% do eleitorado é seu e dificilmente irá muito além disso.

Embora, ao mesmo tempo, não se apresente nenhum sinal de que irá perdê-lo em razão da falta de estrutura partidária ou tempo de propaganda: as redes sociais têm, hoje, uma capacidade de mobilização que, mesmo longe de atingir as massas populares, não condena mais ao silêncio que não os tiver.

Mas tem, para desespero da direita brasileira, funcionado como um “tampão” para o crescimento de outras candidaturas, mais palatáveis que ele e seu comportamentos grotescos e sua agressividade que, mesmo no seu novo figurino neoliberal, não se consegue conter.

Elementos como ele existem há muito tempo e existiram sempre, nas ele tomou estas proporções porque é o filho tosco do golpe.

O estado de excitação do “Fora, Dilma”, a simplificação da politica ao conceito moral de “honestidade” individual, a recriação dos “comunistas que comem criancinhas”, agora na figura de “petralhas” que querem “acabar com a família tradicional” e o uso do fundamentalismo evangélico não poderiam levar a nada diferente.

Ingredientes que transbordaram do caldeirão da Lava Jato e encontraram em Bolsonaro uma tradução em linguagem chula do juízo primário da Lava Jato e seus Moro e Dallagnol. Ele é a “cognição sumária” do juízo de Curitiba, vertida para a linguagem de uma classe média idiotizada pelo discurso do “bem contra o mal”.

Ao trabalhar pela demolição do governo eleito, a direita convencional do país apelou para todos eles e não acreditou em se ver, também, colocada nas panelas que batiam nos bairros mais ricos.

Agora, desesperada pela falta de quem possa lhe servir de candidato viável, vendo seus truques de prestidigitação – como a candidatura Huck, que o conservador Demétrio Magnoli, na Folha, chama de “clássico golpe do outsider” – defronta-se com a realidade terrível: seu inimigo, Lula, pode ser retirado da disputa, mas não o filho torto que criou na figura patética de Bolsonaro.



TIJOLAÇO

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