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| Michel Temer decreta intervenção militar no Rio de Janeiro.REUTERS/Ricardo Moraes/File photo |
O jornal britânico The Guardian foi um dos primeiros da Europa a informar sobre a decisão do presidente Michel Temer de decretar uma intervenção do Exército no Rio de Janeiro. O texto explica que a medida é inédita desde o retorno do país à democracia, porque, pela primeira vez, as Forças Armadas assumirão o controle de todas as operações de segurança e comandarão os distintos corpos policiais.
The Guardian também destaca que enquanto a intervenção militar no Rio estiver em vigor, o Congresso não poderá aprovar alterações à Constituição, o que coloca em suspenso a reforma da Previdência. "Temer poderá tirar benefícios dessa medida", analisa. Segundo Ricardo Ismael, professor de ciências políticas na Pontifícia Universidade Católica do Rio, "Temer tentará ganhar popularidade".
O presidente, no entanto, disse que vai cessar a intervenção federal no Rio de Janeiro para a votação da reforma de previdência.
Segurança prejudicada por crise financeira
Na França, o site da Le Point informa que o general Walter Souza Braga Neto, que já tinha dirigido as operações de segurança durante as Olimpíadas, será responsável pela intervenção do Exército. "A confusão e a total falta de coordenação da polícia durante o Carnaval levaram o presidente Temer a tomar esta decisão", explica à revista o cientista político David Fleischer, professor na Universidade de Brasília.
Le Point esclarece que a segurança no Rio foi prejudicada pela grave crise financeira no estado, à beira da falência. "Funcionários públicos e policiais não têm recebido seus salários com frequência", ressalta a Le Point.
O jornal Le Figaro reproduz as frases de maior impacto do pronunciamento de Temer. "O crime organizado quase tomou conta do Rio de Janeiro. [...] Tomo essas medidas extremas porque as circunstâncias exigem. O governo dará respostas duras, firmes e adotará todas as providêncais necessárias para enfrentar e derrotar o crime organizado e as quadrilhas", declarou o presidente brasileiro.
RFI
