Dívida, comércio e emprego mundiais problemáticos dificultarão a retomada da economia avariada do País, avalia Institute of International Finance.



No quarto ano consecutivo de economia em marcha ré ou quase parando, o Brasil enfrenta na véspera das eleições presidenciais um contexto mundial desanimador marcado por arrefecimento do comércio, inconsistência no crescimento dos Estados Unidos e elevação preocupante da dívida global - que subiu 8 trilhões de dólares no primeiro trimestre e atingiu 247 trilhões, equivalentes a 318% do PIB do planeta. O diagnóstico é do Institute of International Finance (IIF).

O crescimento do endividamento ameaça indivíduos, empresas e países e levou a instituição a emitir este alerta: "Chamamos atenção para os riscos que correm tanto os tomadores de dívidas com taxas variáveis quanto os países emergentes e outros devedores não residentes nos Estados Unidos que se financiaram em dólares americanos e agora arcam com custos mais elevados".

A notícia acentuou o pessimismo causado pelo esfriamento da economia segundo o acompanhamento da Organização Mundial do Comércio, que registrou um recuo do Indicador de Perspectivas do Comércio Mundial nos primeiros meses do ano provocado principalmente pela queda de exportações.



A confirmação na terça-feira (10) pelo governo Trump de sobretaxa de 10% para 200 bilhões em importações da China a partir de agosto piorou as perspectivas das trocas internacionais, que já não eram das melhores.

Os dados ruins do endividamento e do comércio somam-se aos números desanimadores sobre a recuperação dos Estados Unidos, medidos por um indicador chave, a qualidade dos empregos criados.

Oito dos dez setores com a maior previsão de crescimento do nível de emprego entre 2014 e 2024, que deverão gerar 29% do total de novos postos de trabalho no período, pagam ou pagarão salários médios inferiores à média nacional, com implicações graves no aumento da desigualdade de renda e na produtividade, conforme registrou o jornal Financial Times. A notícia preocupa por indicar a consistência insuficiente do processo de recuperação dos EUA.

Com crescimento irrisório do PIB em 0,4% no primeiro trimestre, em sexagésimo primeiro lugar no mundo logo abaixo de Ruanda; desemprego de 12,7% em maio, na trigésima quinta posição em seguida a Albânia; e taxa de juros de 6,5%, a quinquagésima terceira maior do mundo após a da Suazilândia, o Brasil disputa a segunda divisão entre 168 países, com alguns indicadores merecedores da terceira divisão.

Para piorar ainda mais, o próximo governo terá de conduzir a retomada a partir de uma base econômica apequenada pela desnacionalização acelerada de recursos naturais e de conhecimento de alto nível acumulado em empresas desnacionalizadas caso os processos de venda de Eletrobras, Embraer e vários ativos da Petrobras sejam confirmados pela Justiça.

Fonte: Carta Capital

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