O esforço do governo americano para passar, inutilmente, uma imagem positiva da operação que separou crianças dos pais só é superado pelo do Brasil.
Cenas de meninos e meninas enjaulados pela política de tolerância zero de Trump com imigrantes ilegais provocaram uma onda de indignação mundial.
Há 55 menores brasileiros nessas condições. O chanceler Aloysio Nunes foi cobrado pela inação.
Bem, Aloysio se coçou. Foi dar um pulo nos Estados Unidos.
E o resultado, narrado pela Agência Brasil — a versão tabajara do saudoso Pravda, da União Soviética — é além da fake news.
Aloysio, ficamos sabendo, rumou para Chicago “para se reunir com representantes dos diversos postos do Itamaraty nos países da América do Norte” a fim de tratar do tema.
Aloysio e o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo Rocha, estiveram num abrigo da rede Heartland Alliance, em Chicago.
Trinta e três pequenos estão na cidade.
“Quase todos, se não todos, querem ficar nos Estados Unidos”, contava Aloysio, como se se tratasse de turistas curtindo a Disney World.
Segundo o ministro, a condição em que as crianças vivem nos abrigos é “muito boa, do ponto de vista material e mesmo do ponto de vista psicológico”, já que elas “visitam museus, vão ao cinema, praticam esportes, são muito bem atendidas, estudam”.
Segundo o ministro, a única queixa é com a comida, já que “falta o tempero brasileiro”. (…)
Uma outra matéria garantia que “crianças brasileiras estão bem tratadas em abrigos nos EUA” e que aguardavam ansiosas a partida com a Bélgica.
Alegres e animados com futebol, as crianças e os adolescentes afirmaram que estão na torcida pela seleção brasileira. Também aparentaram estar bem alimentados e vestidos adequadamente.
O site Intercept publicou a história dolorida, comovente, de dois meninos brasileiros apartados de seus familiares.
Reproduzo abaixo o depoimento do pai de um deles, contando que é “muito solitário aqui”.



