Foto Ricardo Stuckert/PT

Por Maria Luiza Abbott e Marcelo Stoppa

O ex-presidente Lula ficou em 1º lugar no ranking de relevância e visibilidade dos pré-candidatos no Twitter na semana de 6 a 13 de julho – dominada pela discussão em torno das decisões contraditórias do Judiciário sobre sua libertação no domingo, 8 de julho. Lula obteve uma fatia de 36% do total de relevância dos pré-candidatos no Twitter e, do total de engajamento com as top 20 hashtags, pouco mais de três quartos foram de apoio a ele. O debate em torno do caso influenciou o desempenho de todos os pré-candidatos, impulsionando em especial a relevância daqueles que apoiaram o ex-presidente, segundo indicam as métricas da pesquisa semanal da AJA Media Solutions.



A fatia de relevância e visibilidade do deputado Jair Bolsonaro (PSL) despencou na semana, passando de 25% para 14% do total, mas ele se manteve em 2º lugar no ranking. Em 3º, Guilherme Boulos, pré-candidato do PSOL, que ficou com pouco mais de 12% do total de relevância dos pré-candidatos, seguido de Manuela D’Ávila, pré-candidata do PC do B, que obteve 11,6% na semana. Em 5º lugar, o senador Roberto Requião, pré-candidato do MDB, com quase 5%. Os três tiveram sua visibilidade impulsionada pelos tuítes apoiando o ex-presidente e criticando as decisões contrárias.


O apoio a Lula na semana foi especificado em 143 mil curtidas recebidas pelo perfil @LulaOficial, que também obteve 54 mil compartilhamentos na semana. Em segundo lugar no ranking, o perfil @jairbolsonaro foi apoiado com 84 mil curtidas e 16 mil compartilhamentos no mesmo período. Das 20 hashtags de maior destaque no ecossistema das eleições, nove foram de suporte ao ex-presidente, incluindo #lulalivrejá, #lulalivre, #libertadparalulaya, #obrasilfelizdenovo. Também as imagens de maior relevância e visibilidade no Twitter traduziam sentimento positivo ao ex-presidente – as cinco com melhor colocação no ranking foram de apoio a ele.

A relevância dos demais pré-candidatos também foi determinada pelo engajamento com seus tuítes sobre o caso. Em 6º lugar no ranking, João Amoêdo, do Partido Novo, viu subir um pouco sua fatia no total de visibilidade na semana, impulsionada principalmente pelos tuítes dele contra a decisão do desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, de soltar Lula. Efeito semelhante tiveram os tuítes sobre o caso feitos por Geraldo Alckmin (PSDB) e Álvaro Dias (Podemos) – também críticos. A relevância de Ciro Gomes (PDT) subiu de 1,7% para 2,27%, impulsionada pelo conjunto de tuítes dele sobre o caso, mas ele se expôs a comentários negativos por não ter assumido uma posição clara.

A narrativa de que Lula é vítima de uma injustiça já tinha contribuído para elevar a visibilidade dele na semana passada, segundo revelou a pesquisa da AJA de 29 de junho a 6 de julho. Isso aconteceu ainda antes mesmo do reforço inesperado das idas e vindas do Judiciário no domingo, dia 8. para a visibilidade do discurso dos partidários do ex-presidente.

É importante observar a relevância que o caso conseguiu no exterior, especialmente no Twitter em espanhol. A expectativa de que Lula poderia ser libertado no domingo recebeu apoio em especial nas comunidades que falam espanhol nas Américas. Só um tuíte de apoio ao ex-presidente postado pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, obteve 6,9 mil curtidas originais e 4,3 mil compartilhamentos que geraram uma ressonância equivalente a quase o dobro da obtida por toda a atividade de Alckmin no Twitter na semana.

Perda de seguidores: plataformas sociais buscam neutralidade

No dia 13 de julho observou-se uma perda acentuada de seguidores de perfis de pré-candidatos: 56,6 mil usuários deixaram de seguir Álvaro Dias, enquanto Marina Silva via sua audiência perder 37,8 mil seguidores e Geraldo Alckmin registrou uma baixa de 9,4 mil usuários no Twitter.


A explicação: Twitter, Facebook e YouTube começaram a erradicar perfis inativos e robôs, além de notícias falsas (fake news), de suas plataformas desde o começo de 2018. As contas suspeitas são detectadas e canceladas.

A campanha visa melhorar a imagem das empresas mantenedoras das plataformas de comunicação digital e também a qualidade dos debates online. O objetivo é tornar as redes sociais menos vulneráveis a ações de comunicação coordenadas que visam o aumento da predominância de determinada ideia na rede. Além de melhorar a qualidade das informações que trafegam nas redes sociais, os serviços buscam atingir o que chamam de neutralidade. Na política americana, a campanha tem desagradado setores da extrema direita, como informa o portal CNet.

No Brasil, a AJA detectou um padrão: os pré-candidatos perdem seguidores sobretudo entre as quintas e sextas-feiras e as perdas são na ordem de 1% do total de seguidores ou 5 mil seguidores por semana, em média. Boulos, Amoedo e Meirelles ainda não apresentaram perdas. Desde que começaram as análises da AJA, foram detectados indícios de que alguns pré-candidatos investiram no uso de perfis falsos e robôs para inflar seus números a fim de indicar mais sucesso – ago como as claques pagas em comícios.

Para a AJA Solutions, a métrica do número de seguidores tem menos importância do que a capacidade de o pré-candidato de sensibilizar o seu eleitorado, o que também é quantificável. A AJA criou uma metodologia exclusiva para medir sensibilização do eleitorado e tem uma métrica de relevância e visibilidade, apresentada semanalmente neste relatório.

A busca de neutralidade pelas redes ainda está em curso e a AJA vai medir semanalmente o quanto ela está impactando a performance comunicacional dos candidatos.

Nesta semana, foram analisadas 900.444 interações entre 417.849 usuários no ecossistema das eleições no Twitter.

Os mapas de relevância e visibilidade e de influência e afinidade dos pré-candidatos revelam os erros, acertos e os caminhos que podem ser feitos para ganhar relevância na rede.

A versão interativa dos mapas, que permite analisar o engajamento e as trocas usuários e candidatos, está disponível para assinantes.

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