Freud dizia que coincidências não existem porque sempre somos mais conscientes do que pensamos.

Há exatos dois anos, o plenário do Senado aprovou por 61 votos favoráveis e 20 contrários o impeachment de Dilma Rousseff.

Ela foi condenada sob a acusação de cometer as chamadas “pedaladas fiscais”, uma palhaçada jurídica devidamente enterrada pelo tempo.

Neste 31 de agosto de 2018, o Brasil testemunhou o golpe dentro do golpe, desta vez no TSE.

O ministro Luís Roberto Barroso, relator do caso, votou pela cassação do registro da candidatura de Lula com base na Lei da Ficha Limpa.

O tribunal se reuniu em dia que não costuma se reunir para decidir o que já estava decidido.

Não que alguém com mais de 12 anos de idade esperasse algo diferente, mas Barroso caprichou na ornamentação.

Num blábláblá interminável, com direito a citação do nome de Alexandre Frota algumas vezes (de resto, totalmente adequado para a ocasião), abriu sua peroração afirmando que “não há dúvida da coisa certa a se fazer”.

Poderia ter poupado sua audiência do longo e modorrento discurso que viria a seguir, citando de maneira paradoxal a necessidade do “princípio da celeridade”.

“O que o TSE está fazendo é procurar assegurar direitos do impugnado e o da sociedade brasileira de ter uma eleição com candidatos devidamente definidos”, disse.

Pobre sociedade brasileira.

A decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU “não é vinculativa e foi proferida por apenas dois dos 18 integrantes do comitê”, falou.

Não faltou sequer o mantra “todas as instituições estão em funcionamento”.

Fachin ainda lhe chamou de uma das mentes mais brilhantes de sua geração.

Ainda deu tempo de sair no Jornal Nacional com sua gravata psicodélica e é isso o que importa.


DCM

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