Acontecimentos chocantes que pegam o país de surpresa, como o atentado desta tarde a Jair Bolsonaro, costumam deixar políticos, jornalistas e observadores da cena em geral como baratas-tontas.  Ninguém tem a explicação, ninguém sabe o que vai acontecer e abre-se espaço a emocionalismos, exageros e suposições estapafúrdias. A única certeza é de que a campanha muda, segundo observações colhidas junto a quem está com a cabeça fria neste momento:

  1. É impossível que o assunto não venha a ser politizado, já que o sujeito foi esfaqueado em pleno ato de campanha. Aliados de Bolsonaro e setores da direita buscam relações do “lobo solitário” responsável pela agressão com o PT. Acharam antigas filiações ao PDT e ao PSOL, mas nada que relacione o crime a algum mandante ou político. É claro que o fato de o esfaqueador ser supostamente de esquerda será explorado, mas sem algo mais concreto fica difícil atingir adversários.
  2. Sabendo disso, todos os adversários de Bolsonaro na disputa presidencial, de Fernando Haddad a Geraldo Alckmin, e autoridades, como Michel Temer, Rosa Weber, Carmen Lucia e Fernando Henrique, protagonizaram uma corrida para ver quem se solidarizava antes e melhor, com as expressões mais compungidas e horrorizadas. Ninguém quer correr o risco de parecer que achou bom, pois isso tira votos.
  3. O atentado vai dar mais votos a Bolsonaro e influir na eleição? Cedo para dizer. É improvável que quem não vota nele passe a votar por isso. Mas talvez seja possível estancar algum processo de perda. Neste momento, o candidato do PSL é uma vítima, e vai ficar difícil para adversários como Geraldo Alckmin continuarem a bater nele na propaganda na TV. Essa tentativa de desconstrução ainda não havia tirado pontos de Bolsonaro, embora sua rejeição tenha aumentado. É improvável que, agora, com o discurso de quem sofreu uma facada no palanque, Bolsonaro fique de fora do segundo turno. 
  4. Diga-se o que se disser, a Polícia Federal falhou em sua missão de proteger os candidatos à presidência e mostrou que pouco pode fazer em meio à radicalização de ânimos. Essa campanha, que já tinha pouco povo, tende a ter menos ainda.


Os Divergentes

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads