Animal estava preservado em âmbar: de acordo com os cientistas, a descoberta da espécie ajuda a explicar como os continentes se separaram há milhões de anos
INSETO DE 99 MILHÕES DE ANOS É ENCONTRADO EM MIANMAR (FOTO: DIVULGAÇÃO/FIELD MUSEUM)
A espécie, que foi batizada de Propiestus archaicus, é considerada a ancestral de besouros que são encontrados apenas no Hemisfério Sul e em uma porção da América do Norte. De acordo com os pesquisadores, isso comprova que o território do Sudeste Asiático tinha alguma conexão com continentes como a América do Sul.
Os estudos do comportamento das placas tectônicas afirmam que há 320 milhões de anos a Terra abrigava apenas um grande continente, chamado Pangeia. A partir da movimentação das placas, que causaram grandes rupturas por conta de terremotos e atividades vulcânicas, os territórios começaram a se separar. O continente africano e o Brasil, por exemplo, iniciaram seu processo de fragmentação há cerca de 135 milhões de anos: nesse processo, a crosta terrestre foi rompida e o oceano Atlântico foi formado.
De acordo com o pesquisador Shuhei Yamamoto, que liderou o estudo e trabalha no Museu Field de História Natural (localziado na cidade norte-americana de Chicago), a espécie conservada em âmbar foi localizada em um vale no nordeste de Mianmar. Esse país é extensivamente pesquisado por paleontólogos por conta das amostras de âmbar: a resina, que é produzida por alguns vegetais, consegue conservar os animais mortos.
COMPARAÇÃO DO INSETO COM A PONTA DE UMA CANETA (FOTO: DIVULGAÇÃO)
A partir de agora, os pesquisadores investigarão as características de DNA do besouro para rastrear suas semelhanças com as espécies atuais e entender o "caminho" que esses animais percorreram até a atualidade. Também será possível identificar com maior precisão a data em que as falhas geológicas ocorreram e possibilitaram a divisão dos continentes.
Galileu


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