Foto: Ricardo Stuckert
Na visão de Alencar, a "Lava Jato abriu caminho para a eleição de Jair Bolsonaro. Embora tenha revelado um enorme esquema de corrupção, a Lava Jato destruiu a classe política tradicional e permitiu que o candidato do PSL se apresentasse como uma novidade contrária ao status quo. Ocorreu no Brasil um efeito semelhante ao vivido pela Itália após a Operação Mãos Limpas."
Bolsonaro "se elegeu às custas de representar ruptura, mas faz parte do sistema. Terá dificuldade para entregar o que prometeu. O presidente eleito não deixou claro o que pretende fazer com o país em seus primeiros discursos pós-vitória. Houve menções genéricas sobre medidas políticas e econômicas. Tampouco Bolsonaro fez aceno para seus opositores."
Kennedy lembrou que "Haddad, que saiu da eleição maior do que entrou, também falou apenas para os seus eleitores. Faltou gesto para o conjunto do país e para o próprio Bolsonaro. No entanto, foi importante o petista pedir aos seus eleitores que não tivessem medo, colocando-se como líder de fatia importante da sociedade."
Comentando o papel da Justiça Eleitoral, o jornalista destacou que a Corte foi quem impôs ao Brasil "uma das maiores derrotadas da eleição". "Fez bravatas contra fake news no começo do ano e foi engolida por avalanche de mentiras. É herança negativa para futuras eleições que demanda enfrentamento."
GGN

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