Em parte, atribui-se o crescimento do candidato do PSL à migração de eleitores e eleitoras antipetistas que não fizeram escala nem em Ciro nem em Alckmin. Ironicamente, quem pregava o voto útil pode acabar sendo vítima dele, ao inverso.





Vai ser uma pauleira – foi a reação de estrategistas de Fernando Haddad diante do Datafolha divulgado há pouco, confirmando o crescimento de Jair Bolsonaro (32%) e uma estagnação do petista (21%) a cinco dias das eleições. Não é o cenário esperado pela cúpula petista, que previa um empate ou até a ultrapassagem de Bolsonaro por Haddad até domingo. Mas é cedo para a comemoração que alguns já estão fazendo, como o mercado – que fechou com o dólar em baixa e a bolsa em alta.

A avaliação de petistas que estão mantendo o sangue-frio é de que não há risco de a onda antipetista da semana levar o candidato do PSL a vencer em primeiro turno. Se há uma certeza, hoje, é de que haverá segundo turno, Haddad estará lá, e muita água ainda vai correr até 28 de outubro. E o resultado é imprevisível: o Datafolha voltou a registrar empate entre os dois no segundo turno, com vantagem numérica para Bolsonaro (44% x 42%).

A quatro dias das eleições, o PT espera uma última onda a seu favor, vinda sobretudo de eleitores que hoje ainda estão com Ciro Gomes (11%) ou Geraldo Alckmin (9%) e que, diante do risco Bolsonaro cada vez maior, podem correr para Haddad. Por esse raciocínio, o movimento inverso, levando possíveis eleitores do campo da centro-direita que poderiam votar nesses candidatos para Bolsonaro, já está ocorrendo. Em parte, atribui-se a ele o crescimento do candidato do PSL, já que esses eleitores e eleitoras não fizeram escala nem em Ciro nem em Alckmin.

Ironicamente, quem pregava o voto útil pode acabar sendo vítima dele, ao inverso.


Os Divergentes

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