Jeferson Miola

Queiroz continua sumido, para decepção nacional.

Ele apenas saiu momentaneamente de algum esconderijo onde está sendo guardado a 7 chaves para conceder 1 entrevista arranjada, sob medida, para a emissora SBT que, tudo indica, habilita-se a forte candidata a voz oficial do regime nazi-bolsonarista [ver aqui].

É descabido, tecnicamente falando, chamar de entrevista a performance ensaiada do Queiroz no SBT com exclusividade, sem submeter-se ao escrutínio de toda a imprensa.

Mais grave do que a ofensa ao conjunto da imprensa, todavia, é que a atitude do Queiroz representaria 1 insulto à Lava Jato, ao MP, à PF e ao judiciário, de quem fugiu de depor em 2 ocasiões. Neste particular, aliás, Queiroz parece-se com seu chefe Jair, que na eleição fugiu dos debates com Haddad como ele, Queiroz, foge da justiça e da polícia.

Isso, entretanto, parece irrelevante para Deltan Dallagnol, Sérgio Moro e justiceiros da Lava Jato. Afinal, a Lava Jato, sempre valentona e arbitrária contra Lula e o PT, faz de tudo para safar Queiroz, os Bolsonaro e a extrema-direita [ler aqui e aqui].

No falatório no SBT, Queiroz apresentou-se como um sujeito descolado; 1 autêntico carioca malandro. Ele buscou aparentar tranquilidade, sendo logo desmentido pela auto-comiseração de dizer-se alguém com problemas de saúde, com a “calça caindo” devido a suposto emagrecimento súbito e, também, vitimizando-se como alguém que sofre de moléstias que vão de necessidade de cirurgia num ombro, problemas na urina, passando por tosse forte a câncer maligno no intestino. É incrível e sui generis o menu de morbidez que subitamente acometeu Queiroz, até semanas atrás animado em pescarias e churrascadas com os Bolsonaro.

Quanto à suposta “cirurgia invasiva” que o impediu de prestar depoimento ao MP pela segunda vez, nenhuma palavra. Atestado médico – pelo menos por enquanto – nem pensar. E tampouco ocorreu ao SBT perguntar-lhe a respeito.

O blá-blá-blá do Queiroz nem de longe corresponde ao que Flavio Bolsonaro considera ser uma explicação “bastante plausível”. Queiroz não renegou a amizade com a família. Muito ao contrário, considera-se o maior amigo do clã.

Ele se refere ao mandato de Flavio como “nosso gabinete”. Deixa subentendido que a exoneração em 15/10/2018 [e também a de sua filha “laranjinha” Nathalia do gabinete do Jair no mesmo dia] foi procedimento arranjado [e avisado] para livrar os Bolsonaro da investigação da operação da Lava Jato Onça da Furna no RJ.

Queiroz se empenhou em livrar a cara dos Bolsonaro e rechaçou o apelido de “laranja”, embora não tenha explicado o depósito, na sua conta bancária, em alguns casos, de até 99% do salário de funcionários dos gabinetes dos Bolsonaro.

No mais importante, que é o depósito de R$ 24 mil na conta de Michelle Bolsonaro, Queiroz entrou em flagrante contradição. O COAF apurou depósito de R$ 24 mil na conta da esposa de Jair. Queiroz, contudo, afirma ter efetuado 10 depósitos de R$ 4 mil a título de pagamento de suposto e não documentado empréstimo de R$ 40 mil.

Para explicar a movimentação financeira muito acima do seu salário em apensas 1 ano, Queiroz assim se define: “sou um cara de negócios, faço dinheiro”, e justifica seu espírito empreendedor fazendo trambique de carros.

Recibos, transações no DETRAN, comprovantes de compra e venda etc para sustentar estapafúrdia versão, entretanto, não foram apresentados. Detalhe: o primeiro amigo dos Bolsonaro trabalha com a família há quase 30 anos, o que supõe que sua atividade de “cara de negócios” e empreendedor arrojado que “faz dinheiro”, seja ainda mais extensa.

A farsa continua. Queiroz não apareceu; ele apenas se pronunciou desde algum esconderijo e não deu nenhuma explicação “bastante plausível”, como alega Flavio Bolsonaro.

A pergunta do samba “Onde está o Queiroz?” [ouvir aqui], de autoria de Zé Barbosa Júnior continua, portanto, sem resposta.

Afinal, Onde está o Queiroz?





jeferson miola

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