Por Altamiro Borges
As quatro principais revistas do país deram capa nesta semana para Flávio Bolsonaro, o filhote do “capetão” Jair, aquele que se elegeu presidente da República posando de ético e que enganou tanto inocente – ou otário – com seu discurso anticorrupção.
A revista Veja, da falida e caloteira Editora Abril, deu uma foto sombria do novo senador carioca e estampou o título em letras garrafais: “A lambança do zero um”.
Já a IstoÉ, mais conhecida no meio jornalístico como QuantoÉ por seu histórico mercenarismo, também publicou uma foto do bem-sucedido agente imobiliário e adorador das milícias cariocas e deu a manchete: “O filho problema”.
A revista Época, que virou encarte do jornal O Globo, abordou “os rolos de Flávio Bolsonaro” numa reportagem recheada de informações sobre as maracutaias do falso moralista do PSL do Rio de Janeiro.
E a revista CartaCapital, a única que nunca vacilou diante da ascensão do fascismo no país, deu na capa: “Os laços sombrios”. A matéria mostra que a proximidade de Flávio Bolsonaro com o líder de uma quadrilha de milicianos, procurado pela polícia sob a suspeita de ter assassinado a vereadora Marielle Franco, complica a vida do pai presidente.
O que explica estas corrosivas capas das revistas semanais? No caso da CartaCapital, como já foi dito, ela sempre criticou a ascensão da dinastia Bolsonaro, alertando que seria um desastre para o Brasil. Já as outras três revistas têm uma postura esquizofrênica, que combina três questões.
Em primeiro lugar, elas sempre apoiaram o receituário ultraliberal defendido por Jair Bolsonaro e o abutre Paulo Guedes, novo czar da economia. Adoradoras do deus-mercado, elas desejam uma radical contrarreforma da Previdência, que acabe com as aposentadorias, um extremado programa de privatizações que entregue todas as riquezas às devastadoras Vales da vida, uma nova "deforma" trabalhista.
Há, porém, duas ameaças que assustam os barões da mídia, os donos das revistas Veja, QuantoÉ e Época. Eles temem a pauta ultraconservadora nos costumes – o fundamentalismo que censura e persegue jornalistas e artistas; e temem um retrocesso democrático que as atinja. No golpe militar de 1964, muitos veículos apoiaram os generais e depois engoliram o próprio veneno.
Além destas esquizofrenias ideológicas-políticas, há também os interesses comerciais. A mídia nativa é venal, sempre foi corrupta. Dependendo das ofertas do novo governo, em anúncios e outras benesses, os mercenários podem ceder. As capas ajudam nessa pressão. A conferir como se comportarão nos próximos meses.
Altamiro Borges

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