Ao classificar como “canalhice” matéria da Veja, nesta segunda-feira (11), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) escondeu que seu discurso, mais do que espezinhar a editora Abril, visava um recado contra os produtores de leite: iria manter a decisão do ministro da Economia, Paulo Guedes, facilitando a importação do leite em pó de outros países.
A definição de Bolsonaro desacorçoou os ruralistas e o agronegócio que apoiaram em peso a eleição do presidente. Ao escolher não desautorizar Guedes, ele pode comprometer o apoio de uma numerosa bancada no Congresso Nacional — cerca de 200 parlamentares — e a reforma da previdência (fim da aposentadoria).
Se o governo federal não oferecer compensações claras aos produtores de leite, muito provavelmente, ficará insustentável a aliança do agronegócio com Bolsonaro e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS), pode até demitir-se do cargo para reassumir a vaga de deputada na Câmara.
Minas Gerais é o maior produtor de leite do país e o deputado Domingos Sávio (PSDB), durante o fim de semana, já demonstrava arrependimento pelo apoio dado na eleição para Bolsonaro.
O Paraná é segundo maior produtor de leite no país. O impacto da suspensão das barreiras tarifárias para a importação do leite em pó foi repercutido ontem na Assembleia Legislativa pelo deputado Tadeu Veneri (PT).
“Depois de trabalhar durante anos na meta de melhoria do rebanho leiteiro, toda a cadeia produtiva será destruída e o dinheiro vai para as mãos de grandes grupos internacionais. É uma decisão insana”, discursou o petista, que exigiu uma posição sobre o tema do governador Ratinho Junior (PSD).
Blog do Esmael

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