DEGRADAÇÃO DO PLÁSTICO FORMA PEDAÇOS MICROSCÓPICOS QUE JÁ CONTAMINAM TODO O PLANETA. (FOTO: CREATIVE COMMONS / AGÊNCIA BRASIL)

Segundo a pesquisadora, combustíveis limpos derivados dos resíduos de poliolefina podem satisfazer 4% da demanda anual do produto


O plástico é onipresente em nossa sociedade. Dos produtos e embalagens que utilizamos às micropartículas que já contaminam praticamente todos os seres vivos do planeta. São cerca de oito milhões de toneladas que vão parar nos oceanos todos os anos.

Para lidar com a questão, Linda Wang, engenheira química na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, buscou formas de dar uma nova utilidade a todo esse mundo de plástico. Mas além da produção de produtos de plástico reciclado, ela quis endereçar outro problema ambiental: os combustíveis.

Junto de sua equipe, ela desenvolveu uma forma de transformar resíduos de poliolefinas, tipo de plástico comum do qual são feitas as garrafas PET, em gasolina e diesel. "Nossa estratégia é criar uma força motriz para a reciclagem, convertendo resíduos poliolefínicos em uma ampla gama de produtos valiosos, incluindo polímeros, nafta (uma mistura de hidrocarbonetos), ou combustíveis limpos", contou Wang.

O processo de conversão incorpora a extração seletiva e a liquefação hidrotérmica. Uma vez que o plástico é convertido em nafta, ele pode ser usado como matéria-prima para outros produtos químicos ou ainda separado em solventes especiais ou outros produtos.

Os combustíveis limpos derivados dos resíduos de poliolefina gerados a cada ano podem satisfazer 4% da demanda anual de gasolina ou diesel. "Nossa tecnologia de conversão tem o potencial de aumentar os lucros da indústria de reciclagem e reduzir o estoque de resíduos plásticos do mundo", garantiu a engenheira.

ENGENHEIRA QUÍMICA LINDA WANG NO LABORATÓRIO EM QUE TRANSFORMA PLÁSTICO EM COMBUSTÍVEL. (FOTO: PURDUE RESEARCH FOUNDATION / VINCENT WALTER)

Wang se inspirou para criar essa tecnologia depois de ler sobre a poluição dos resíduos plásticos dos oceanos, águas subterrâneas e meio ambiente. De todos os plásticos produzidos nos últimos 65 anos (8,3 bilhões de toneladas), cerca de 12% foram incinerados e apenas 9% foram reciclados. Os restantes 79% foram para aterros ou para os oceanos.

O Fórum Econômico Mundial prevê que até 2050 os oceanos reterão mais resíduos plásticos do que peixes se os resíduos continuarem sendo despejados em corpos de água.
Wang disse que espera que sua tecnologia estimule a indústria de reciclagem a reduzir a quantidade crescente de resíduos plásticos. Ela e sua equipe estão procurando investidores ou parceiros para converter plásticos em escala industrial.


Galileu | Meio Ambiente

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