Ricardo Kotscho e Bernardo Mello Franco, em seus blogs, hoje, tratam de um mesmo personagem: Dias Toffoli, o presidente do Supremo Tribunal Federal que virou “arroz de festa” do Palácio do Planalto.

Depois do esdrúxulo pacto que teria proposto e que despertou as piores reações no mundo jurídico, pela simples e constrangedora razão de que compromete a corte com eventuais medidas de Governo que lhe caberá apreciar a constitucionalidade, Toffoli foi exibir-se no encontro de mulheres bolsonaristas, algo totalmente despropositado para alguém que, pelo cargo, jamais poderia estar em encontros partidários.

Melo Franco é mordaz:

Ontem o presidente do Supremo esteve no Planalto com uma caravana de deputadas e senadoras. Passou o encontro sorrindo e cochichando com o anfitrião. Parecia um ministro do governo, não o chefe de outro Poder.
Bolsonaro foi só elogios. Chegou a dizer que Toffoli é “uma pessoa excepcional”. “É muito bom nós termos aqui a Justiça ao nosso lado”, derramou-se. Pouco depois, ele juntou as mãos em gesto de coração. Para as câmeras, não para o convidado ilustre.

Kotscho, a quem todos reconhecem a gentileza, igualmente não perdoa o “amigo pessoal” dos tempos de Governo Lula:

Empolgado com a presença de tão ilustre convidado para a reunião com as nobres senhoras parlamentares, o capitão mandou ver, em seu tradicional estilo “deixa que eu chuto”:
“E é muito bom nós termos aqui a Justiça ao nosso lado, ao lado do que é certo, ao lado do que é razoável e ao lado do que é bom para o nosso Brasil”.
Como assim? Parece que o capitão reformado não faz a menor ideia do que seja a separação de Poderes inscrita na Constituição para garantir a independência de cada um.

Ambos concordam que Toffoli está submetendo o Supremo – e a sua própria condição de presidente do STF – ao constrangimento impensável de fazer com que a corte suprema seja vista como um “quarto de despejo” do Governo, onde os badulaques que produz serão acolhidos e conservados.

O comentarista de O Globo diz que “o momento ‘simpatia é quase amor’ tem causado constrangimento no Supremo e na comunidade jurídica. A razão é simples: Toffoli não pode antecipar julgamentos ou fazer acordos em nome dos colegas. No seu blog, Kotscho lembra que “por mais poderoso e amigo que seja, Dias Toffoli não é “a Justiça”, mas um representante do Poder Judiciário, que tem entre suas tarefas harmonizar as relações conflituosas entre Executivo e Legislativo não em bate papos de churrasco, mas no julgamento dos processos no plenário do STF.

Eu, menos gentil, prefiro dizer que Tóffoli enxerga nos refletores da mídia o brilho em que suas luzes jurídicas são pobres.

Piores ainda são suas espertezas políticas. Desgastou-se com as trabalhadas que fez ao conduzir, com Alexandre de Moraes, o inquérito sobre as ameaças ao Supremo. Ameaçou entrar na lista de “malditos” do bolsonarismo-raiz e tenta consertar isso, como se diz no Sul, “mostrando as cangicas” ao presidente e tentando parecer seu maior aliado.

Bolsonaro não tem aliados, tem vítimas subsequentes.

Quem é mariposa cai mais fácil nas teias da aranha.

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