![]() |
| Alunos da rede pública estadual na sala de aula da POLI – Foto: Cecíla Bastos/USP Imagens |
do Jornal da USP no Ar
A quem interessa destruir o sistema educacional e universitário?
por Caroline Aragaki
A série O Porquê da Universidade Pública analisa com pesquisadores, especialistas da área da educação, ex-reitores da USP, a Universidade como lugar da pesquisa científica e de desenvolvimento para a sociedade, a Universidade como espaço público de ideias e, para isso, a fundamental importância de sua autonomia. Desta vez, o Jornal da USP no Ar conversa sobre o assunto com a professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
“As universidades brasileiras têm um papel civilizatório importantíssimo, porque são instituições inclusivas. Elas resolvem, ou ajudam a resolver, certas questões sociais importantíssimas no Brasil”, afirma Maria Arminda. O Brasil se situa entre as dez economias mais importantes do mundo, mas é um país que tem padrões de desigualdades sociais semelhantes aos países pobres. Para a professora, as universidades públicas, com política de inclusão, ajudam a reverter esse aspecto. Nas federais, mais de 70% dos estudantes vêm de famílias com 1,5 salário mínimo per capita, além de 51% se declararem como PPI (pretos, pardos e indígenas); na USP, quase 50% dos estudantes advém de escolas públicas e a população PPI da Universidade também cresceu bastante.
A Universidade de São Paulo, especificamente, é responsável por mais de 20% da produção científica brasileira. Isso no campo da ciência básica, das ciências experimentais, das ciências humanas. “Não há conhecimento mais importante que o outro”, relembra a especialista. Quanto a isso, ela comenta que o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (IMT) afirmou que não é possível formar um engenheiro ou um inovador sem as ciências sociais, sem as humanidades e sem as artes. “Bom, o Brasil tá fazendo um caminho regressivo, dizendo que certas habilitações não são importantes. Mas é o contrário, o profissional do futuro é o profissional polivalente, aquele que tem a capacidade de construir perspectivas inovadoras e olhar diferentemente a dinâmica do mundo.” Maria Arminda também cita que, atualmente, os deputados se conectam com seguidores pelos celulares, e isso tem um impacto sobre a esfera pública, sobre a vida política. “Quem é que reflete sobre isso? […] Nós temos que construir uma formação, e as universidades têm um papel central nisso. Como nós não podemos prever o futuro, [precisamos de] um profissional que tenha condições para pensar o mundo no qual ele vai interagir.”
A professora comenta que não há uma política para a educação e para o ensino superior definida. “Uma hora tá definido de um jeito, uma hora muda, depois muda, depois recua… o que é isso? O primeiro ministro da educação, do atual governo, diz que as universidades eram para a elite. Olha, ele desconhece absolutamente o papel social e o significado das universidades brasileiras públicas no Brasil.” Ela afirma que as universidades têm papel importante na constituição democrática por estimular o debate de ideias e a convivência com a diferença, e que e a juventude é um agente de mudança importante. “É aqui, sim, na Universidade, que se discute todas as ideias. E é aí que o conhecimento e a cultura avançam: quando nós somos capazes de construir debates, quando nós temos a abertura para atender o novo. Nós temos que enfrentar os verdadeiros problemas da educação brasileira. Não ficar tergiversando que alguém faz balbúrdia, se alguém faz aquilo… quer dizer, quais são as questões centrais? Isso beira a coisa que tem que ter algum interesse por trás. Eu tenho feito essa pergunta sempre: A quem interessa tudo isso? A destruir o sistema educacional e o sistema universitário.”
GGN

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;