Por Altamiro Borges

O furo jornalístico do site The Intercept, que até justificaria mais um Prêmio Pulitzer ao seu editor, Glenn Greenwald, segue gerando pânico na chamada “República de Curitiba” e também no laranjal em Brasília. As mensagens vazadas comprovam que a midiática Operação Lava-Jato foi uma farsa jurídica, o maior escândalo da história do Judiciário brasileiro. Muitos já sabiam desses crimes, mas agora The Intercept garante as provas concretas.

O juizeco Sergio Moro, atual “superministro” da Justiça do miliciano Jair Bolsonaro, o pateta do power point Deltan Dallagnol e outros fascistas togados montaram uma organização criminosa com o objetivo de sabotar a democracia, pavimentar o golpe do impeachment contra Dilma Rousseff e inviabilizar a candidatura do ex-presidente Lula com sua prisão política. Com o disfarce do combate à corrupção, que iludiu tantos midiotas, a Lava-Jato virou um partido político da extrema-direita, o que permitiu a eleição do fascista Jair Bolsonaro.

Pelo que veio à público até agora – apenas 1% do material coletado em mensagens de texto, áudios e vídeos, segundo antecipa o site Intercept – já dava para mandar punir, inclusive com ordem de prisão, Sergio Moro e Deltan Dallagnol; dar imediata ordem de soltura ao ex-presidente Lula; e até abrir um processo para analisar a legitimidade das eleições de outubro passado. Mas nada disso vai ocorrer por enquanto. O Brasil ainda vive num tipo de Estado de Exceção, onde impera o abuso de autoridade e a manipulação de corações e mentes.

Além de abalar Sergio Moro, seus “conges” e os bolsominions, o furo jornalístico também impacta os donos da mídia no Brasil. A relação promíscua entre o Partido da Lava-Jato e o Partido da Imprensa Golpista, o PIG, foi decisiva para produzir o atual retrocesso político no país. Sem a mídia falsamente moralista, o “marreco de Maringá” seria apenas um juizeco insignificante do interior do Paraná. Ele sabia disso, até escreveu sobre esse casamento com a mídia, e, ciente da impunidade, ele não vacilou em praticar tantos abusos de autoridade, em cometer vários crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Agora, diante dos vazamentos, a mídia monopolista está perplexa, meio perdida. Ela não sabe direito como proceder. Teme maiores estragos com as novas revelações. Uma parte, como a Folha e Estadão, já começa a jogar fora o bagaço do “justiceiro” Sergio Moro e do tapado Deltan Dallagnol – até já pede punição aos criminosos. Afinal, eles já cumpriram seu papel na regressão democrática no país e ficaram indefensáveis com os vazamentos – e não por convicção, mas com base em provas concretas.

Já o império global está mais enrascado. A Globo apostou as suas fichas na Lava-Jato. Fez de Sergio Moro um herói nacional, concedendo-lhe prêmios e todos os holofotes. Enganou milhões de midiotas no país com o objetivo de derrotar as forças de esquerda e viabilizar a imposição do seu receituário ultraneoliberal, com privatizações, fim das aposentadorias, regressão trabalhista e outras maldades antes derrotadas nas urnas.

Desde o início dos vazamentos, TV Globo, Globonews, jornal O Globo e outros veículos da famiglia Marinho tentam blindar a Lava-Jato e preservar Sergio Moro e seus “conges”. Para o império global e seus jagunços de plantão, The Intercept cometeu crime ao “hackear” as mensagens – o que nem foi confirmado pelo site – e as acusações vazadas não têm “qualquer importância”, são meras conversas entre o juiz e os procuradores – um absurdo que é rejeitado pelo direito internacional e pelo próprio direito brasileiro.

A tentativa de defesa do juizeco parece desesperada, sem qualquer sustentação. Fica até a sensação de que a famiglia Marinho teme que seu nome apareça em novas postagens do Intercept. Em entrevista, Glenn Greenwald já afirmou que a força-tarefa da Lava-Jato e a Rede Globo sempre foram parceiras. Ele também disse que o material que dispõe é explosivo, que as mensagens envolvem muitos interesses e forças poderosas – do Brasil e do exterior. Será que os EUA e a Rede Globo aparece




Altamiro Borges

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