Nesta segunda, durante o Jornal Nacional seu editor-chefe e apresentador William Bonner leu comunicado sobre o afastamento do jornalista Mauro Naves, com 31 anos de Globo, porque "há evidências de que as atitudes dele neste caso [Naves teria dado o número do telefone do pai de Neymar ao advogado da modelo que denunciou o atleta por estupro e agressão] contrariam a expectativa da empresa sobre a conduta de seus jornalistas".

Há a suspeita de que não tenha sido apenas por isso. Naves teria tentado abafar o caso pondo as partes em negociação antes de explodir na imprensa - o que evidentemente (sendo verdade) não conseguiu, porque o pai de Neymar não aceitou acordo.

Sendo verdade, o repórter agiu mal por tentar interferir no fato em vez de apenas relatá-lo ao público.

Mas não foi o que fez a Globo, o mesmo Jornal Nacional, quando divulgou o grampo sabidamente ilegal de uma conversa entre a presidenta Dilma e o ex-presidente Lula?

A reportagem do Jornal Nacional com essa ilegalidade do grampo influenciou decisivamente a história do Brasil, pois impediu a posse de Lula como ministro de Dilma, o que poderia ter até evitado o impeachment da presidenta. Dois pesos e duas medidas.

Mas a hipocrisia da Globo é antiga. Mostrei aqui que o tríplex de Roberto Marinho na Avenida Atlântica, a famosa da orla da praia de Copacabana, foi comprada pelo bicheiro da Beija Flor, que um jornal das Organizações Globo mostrou na capa com uniforme de presidiário e título irônico: "Anísio já tem fantasia [de carnaval]".

Como eles conseguiram separar o dinheiro legal do dinheiro da contravenção na venda do tríplex, a não ser com sua hipocrisia?


Blog do Mello

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads