POR FERNANDO BRITO


A excelente – e, com justiça, premiada – repórter Patrícia Campos Mello conta hoje na Folha que o governo norte-americano está injetando nada menos que US$ 60 bilhões (R$ 244 bilhões) na Corporação Internacional de Financiamento para o Desenvolvimento, agência estatal para oferecer empréstimos a projetos de infraestrutura mundo afora e que o Brasil estuda aderir à aliança.

Claro, para competir com as iniciativas semelhantes que a China tem tomado, sobretudo em relação à África e à América do Sul, sem falar na Ásia, onde a área de livre comércio – a Asean – está casada com um vasto programa de financiamentos. Aqui mesmo, conta Patrícia, não só salvaram do fiasco o leilão da área de Búzios como acenaram com crédito de baixo custo para obras de infraestrutura.

Obvio que não é ajuda – nem de um, nem de outro – desinteressada e visam expandir mercado de produtos e de serviços para empresas de seus países pelo mundo. É do jogo.

Todos aplaudem, quando são eles, mas quando foi a vez – e com valores minúsculos, anos-luz distantes dos deles – do Brasil fazer o mesmo com países latino-americanos e africanos, os capadócios, travestidos de economistas, políticos e colunistas de jornal, berravam que estávamos “mandando dinheiro” para Cuba, Venezuela, Moçambique, Angola, Guiné…

Desviando investimentos que eram necessários aqui, diziam. Será que não tem nada que precise de financiamento na China ou nos EUA?

A China, nem é preciso dizer, ainda luta para tirar milhões da pobreza, e o empobrecimento nas áreas obsoletas da indústria norte-americana formou o famoso Cinturão da Ferrugem, onde a decadência das condições de vida esvaziou cidades e liquidou empresas.

Será que vamos, por isso, ver chineses e norte-americano mandando seus governantes “irem para Cuba”?

A elite brasileira, que só tem de menor que o cérebro o coração, não é capaz de ver que o Brasil tem tamanho e condições para se projetar economicamente no mundo e que só isso é capaz de fazer, como dizia o velho Leonel Brizola – ridicularizado por eles – o nosso pais ser viver as “perdas internacionais”.

O Trump não vai pra Cuba. Mas os americanos vêm para cá, ainda com mais gula.


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