POR FERNANDO BRITO
Quando a “musa da retomada econômica”, Miriam Leitão, começa a admitir dúvidas sobre o “agora a coisa vai” é bom assumir uma postura de precaução.
Em sua coluna de hoje, diz que o Banco Central assumiu um discurso confuso para justificar a queda nos juros, que fez isso para responder não só à pressão do mercado, mas também por conta dos fracos sinais da atividade econômica.
Está aí, ao que parece, a jogada arriscada do governo em meio a uma expressiva fuga de capitais do Brasil, porque ninguém mais que o BC tem os dados em tempo real do que está acontecendo.
José Paulo Kupfer, jornalista econômico de muito maior credibilidade, aponta justamente para o problema das informações que saem dos gabinetes do governo, que estaria praticando um “apagão de dados” e reduzindo a confiança no que sai nas estatísticas.
Isso significa que o “radar” do dinheiro pode ficar confuso, apesar da farra da Bolsa, enquanto o BC “manda” legiões de pequenos poupadores para a aventura, empurrando para baixo os investimentos de renda fixa.
É como se gritassem “corra para a Bolsa” e o conhecido “efeito manada” já levou perto de um milhão de pessoas para o cassino acionário, completamente desligado da produção real de valor.
Todos fingem não escutar o gongo de alarme que ressoa na China. “Cata-se” informação, como a que dá hoje o Valor, de que os embarques de conteineres nos portos chineses já caiu 20%. Só na imprensa estrangeira fica-se sabendo que eles, os maiores compradores de soja no Brasil, reduziram as tarifas cobradas da soja norte-americana, para cumprir o acordo com os EUA. Automaticamente, nossa soja fica “mais cara”, em preço relativo.
O efeito disso demora, porque os navios que estão carregando no Brasil saíram da China antes da explosão do coronavírus. Lembrem-se que hoje fazem apenas duas semanas que se decretou o bloqueio da cidade de Wuhan, acionando as sirenes de uma grave epidemia. Naquele dia eram 547 casos; hoje são mais de 28 mil e com quase 600 mortes.
A verdade é que não se pode adivinhar o quão grave isso será para o Brasil. Ou melhor, se será grave, gravíssimo ou desastroso.
TIJOLAÇO
Quando a “musa da retomada econômica”, Miriam Leitão, começa a admitir dúvidas sobre o “agora a coisa vai” é bom assumir uma postura de precaução.
Em sua coluna de hoje, diz que o Banco Central assumiu um discurso confuso para justificar a queda nos juros, que fez isso para responder não só à pressão do mercado, mas também por conta dos fracos sinais da atividade econômica.
Está aí, ao que parece, a jogada arriscada do governo em meio a uma expressiva fuga de capitais do Brasil, porque ninguém mais que o BC tem os dados em tempo real do que está acontecendo.
José Paulo Kupfer, jornalista econômico de muito maior credibilidade, aponta justamente para o problema das informações que saem dos gabinetes do governo, que estaria praticando um “apagão de dados” e reduzindo a confiança no que sai nas estatísticas.
“São fortes os indicativos de que o governo Bolsonaro está sofrendo um apagão de informações estatísticas. Pesquisadores acostumados a coletar dados de diversos setores do governo têm denunciado a paralisação ou redução de qualidade e quantidade na divulgação pública de dados. As falhas estão afetando, entre outras, informações previdenciárias, tributárias, de pessoal no serviço público federal e de programas sociais, como o Bolsa Família. Também há problemas no registro de outras informações econômicas, caso das contas externas, e falta de transparência na divulgação de metodologias de construção de indicadores. “
Isso significa que o “radar” do dinheiro pode ficar confuso, apesar da farra da Bolsa, enquanto o BC “manda” legiões de pequenos poupadores para a aventura, empurrando para baixo os investimentos de renda fixa.
É como se gritassem “corra para a Bolsa” e o conhecido “efeito manada” já levou perto de um milhão de pessoas para o cassino acionário, completamente desligado da produção real de valor.
Todos fingem não escutar o gongo de alarme que ressoa na China. “Cata-se” informação, como a que dá hoje o Valor, de que os embarques de conteineres nos portos chineses já caiu 20%. Só na imprensa estrangeira fica-se sabendo que eles, os maiores compradores de soja no Brasil, reduziram as tarifas cobradas da soja norte-americana, para cumprir o acordo com os EUA. Automaticamente, nossa soja fica “mais cara”, em preço relativo.
O efeito disso demora, porque os navios que estão carregando no Brasil saíram da China antes da explosão do coronavírus. Lembrem-se que hoje fazem apenas duas semanas que se decretou o bloqueio da cidade de Wuhan, acionando as sirenes de uma grave epidemia. Naquele dia eram 547 casos; hoje são mais de 28 mil e com quase 600 mortes.
A verdade é que não se pode adivinhar o quão grave isso será para o Brasil. Ou melhor, se será grave, gravíssimo ou desastroso.
TIJOLAÇO

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