Há um bom tempo – e muito, muito antes do coronavírus – a Bolsa era o carro alegórico da “retomada da economia” porque, mesmo nos melhores meses, os indicadores da economia real, produção e consumo, não eram nenhuma Brastemp.

O índice Bovespa era o monocórdio argumento da turma do “agora a coisa vai”.

A qualquer crítica sobre a ausência de políticas econômica que não fossem a de dono de botequim incapaz – cortar despesas e vender as cadeira do bar – e uma queda de juros que se preocupava apenas em reduzir a dívida e não de dar crédito à clientela, vinha logo a resposta:

Mas a Bolsa bateu os 100 mil pontos! Os 110 mil pontos! Vai chegar amanhã a 120 mil! No fim do ano, 150 mil, até 200 mil!!!

A especulação se apoiava, claro, no fato de estarmos, no mercado de ações, pendurados na exuberância de Wall Street, que batia recorde sobre recorde na economia de papel.

Com esta falsa prosperidade, cresceram e se espalharam as casas de investimento, trazendo para si centenas de milhares de poupadores, expulsos das aplicações bancárias convencionais por uma taxa e remuneração frequentemente negativa.

Agora, esta multidão está desorientada só não é maior a fuga destes negócios porque a Síndrome do Cassino faz o perdedor ficar na esperança de que, na próxima mão, vai recuperar o que perdeu.

Neste momento, há ordens de compra de gente que comemora o fato de que a bolsa de NY cai “só” 2%.

Claro que pode, em espasmos, algo subir. Para, em seguida, cair, porque a incerteza, agora, é apenas se os efeitos da crise ficarão além do primeiro semestre, porque não está refluindo, mas se espalhando.

O óbvio não lhes cai às vistas, porque a cegueira do dinheiro as obnubila.

Nem começamos a sentir os efeitos econômicos da epidemia.


Tijolaço

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